O fim de semana mais aguardado dos últimos meses, pelo menos para Miguel Oliveira, chegou finalmente. O piloto português estava finalmente em Portugal, estava finalmente a correr em casa e estava finalmente a cumprir a última etapa de um Mundial que lhe trouxe a primeira vitória. Este fim de semana, além da óbvia vontade de conseguir um bom resultado no próprio país, o piloto de Almada tinha o grande propósito de confirmar o 10.º lugar na classificação geral do Moto GP — um objetivo que Oliveira desenhou em entrevista à Rádio Observador ainda no início de junho.

Ainda na sexta-feira, no primeiro dia de treinos livres no Autódromo do Algarve, Miguel Oliveira garantiu que é uma “sensação fantástica” correr em Portugal. “Mesmo sem público, de cada vez que saio para a pista sinto-me motivado para fazer bem. É essa a sensação que reina em cima da mota. Mesmo sem o público, há sempre uma sensação de apoio. Foi um bom dia. Gostei de todas as voltas. Foi uma boa experiência descobrir Portimão em Moto GP pela primeira vez”, explicou o piloto, que já conhecia bem o circuito mas que nunca tinha corrido no Algarve numa mota da categoria mais alta, acrescentando depois que um dos pontos mais críticos do traçado é a travagem para a primeira curva.

“Travamos e, de repente, não temos apoio. Sente-se algo no estômago, o que é bom. A última curva é fixe de se fazer, com esta potência. Sou suspeito, mas é das pistas mais divertidas no calendário. A pista fica mais estreita com a Moto GP, difícil por ter tanta potência e estarmos longe da afinação certa na entrega de potência e controlo de tração. No geral, é bastante divertida, das mais divertidas do calendário. Mas já sabia que a vantagem de conhecer a pista iria durar pouco tempo”, disse Miguel Oliveira. No Instagram, nas habituais publicações que costuma fazer durante os dias de qualificação e de corrida, o português lembrou ainda que estava a concretizar um sonho — competir em Portugal — mas que agora era “tempo de ação”. “Primeiro dia surreal, amei cada volta!”, acrescentou noutra fotografia.

Assim, ainda na sexta-feira, o piloto da Tech3 teve um arranque perfeito, ao alcançar o melhor tempo da sessão inicial de treinos livres para bater automaticamente o recorde do Autódromo Internacional do Algarve em duas rodas. Já este sábado, Miguel Oliveira registou o segundo melhor tempo no combinado dos três treinos livres para o Grande Prémio de Portugal e qualificou-se diretamente para a Q2, a derradeira eliminatória que decide a ordem dos dez primeiros na grelha de partida. O português só foi batido por Jack Miller, da Ducati, num fim de semana que também funcionava como consagração de Joan Mir, o jovem piloto espanhol que no passado domingo se tornou o novo campeão mundial de Moto GP.

Miguel Oliveira dominou a quarta e última sessão de treinos praticamente por inteiro mas acabou superado por Pol Espargaró mesmo no derradeiro fôlego, terminando com o segundo melhor tempo à entrada para a decisiva Q2. Aí, na qualificação definitiva e depois de Cal Crutchlow e Franco Morbidelli terem sido os dois pilotos a subirem da Q1 para a Q2, o piloto português começou por ser sexto antes de parar para montar um novo pneu macio traseiro e lançar-se para o último ataque à primeira linha da grelha de partida.

No fim, o piloto português conseguiu ser mesmo o mais rápido na última volta que realizou, terminando o circuito em 1 minuto, 38 segundos e 892 milésimos. Miguel Oliveira consegue a primeira pole position da carreira — a melhor qualificação até aqui era um quinto lugar, em Jerez de la Frontera — e logo em Portimão, em Portugal, em casa. Franco Morbidelli foi o segundo mais rápido, Jack Miller fica com o terceiro lugar da grelha deste domingo.

“Foi uma boa volta. Sabia que tínhamos ainda capacidade para tirar algumas décimas em relação ao treino de hoje de manhã. Não foi fácil, o vento não estava a ajudar em algumas curvas. Mas como é vento português, jogou a meu favor. Conseguir esta primeira pole em Portugal tem obviamente um significado especial. Mas o trabalho ainda não está feito e amanhã temos de concluir”, disse o piloto natural de Almada logo depois de conseguir o tempo mais rápido em Portimão.