Desde que revelou o jogo, que passa pela fabricação de uma “cópia” não autorizada do original Defender da Land Rover, a evolução da Ineos rumo à produção do Grenadier tem sido uma missão com muitas curvas e poucas rectas. Na realidade, depois de batalharem em tribunal, a Ineos e a Land Rover têm-se entregado àquilo que se pode considerar um jogo de xadrez, em que cada jogador faz as suas jogadas de forma a bater o adversário.

Saudades do antigo Defender? Aqui está o novo Ineos Grenadier 4×4

A Ineos abriu com um verdadeiro passe de mágica, ao conseguir convencer um juiz britânico que o Grenadier, esteticamente, nada tem a ver com o Defender, o que exige alguma falta de vista ou excesso de boa vontade. A isto, a Land Rover respondeu com a decisão de voltar a produzir o Defender original, com a ajuda da Bowler, apostando que da mesma forma que muitos clientes preferem os Rolex originais às cópias, potencialmente vão também optar pelo Defender, que continua a ser um dos todo-o-terreno mais populares do planeta.

Land Rover “vinga-se”: o Defender original está de volta

Mas o jogo está cada vez mais interessante e, na segunda ronda, a Ineos volta a surpreender o adversário com um movimento rumo à protecção do ambiental. Se já comprava motores de combustão à BMW, para as versões normais do Grenadier, acabou de chegar a acordo com a Hyundai para usufruir da tecnologia do construtor sul-coreano em matéria de fuel cells, as células de combustível a hidrogénio que produzem a bordo a energia de que uma versão eléctrica do Grenadier vai necessitar para se movimentar.

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A Hyundai é, depois da Toyota, o construtor com mais experiência em fuel cells, da segurança dos depósitos onde armazena o hidrogénio à eficiência das próprias células, que juntam o hidrogénio dos depósitos ao oxigénio do ar para formar água e, no processo, gerar electricidade.

É claro que a Land Rover pode responder a isto com uma versão 100% eléctrica, alimentada por baterias, aproveitando a experiência que já possui nos Jaguar I-Pace e no XJ que se aproxima. Mas será que muitos utilizadores desta classe de veículos estão a pensar encontrar postos de abastecimento de energia, ou de hidrogénio, no meio de uma caçada em África?