É um fim de carreira que muitos estão a considerar uma triste deceção. Deborah Birx, uma veterana da Casa Branca que em abril ganhou maior notoriedade pelas expressões faciais de incredulidade perante algumas propostas de Donald Trump para curar o vírus (incluindo emitir um feixe de luz natural para dentro do corpo ou ingerir desinfetantes), vai sair pela porta pequena, envolta num escândalo público: tinha pedido aos cidadãos que passassem o Dia de Ação de Graças apenas com o agregado familiar mas foi revelado que ela própria promoveu um encontro familiar alargado numa quinta que tem no estado de Delaware.

Acreditava-se, antes do escândalo, que Birx, uma cientista prestigiada no ramo do VIH/Sida, queria continuar em Washington e estaria à procura de um lugar na equipa de Joe Biden na próxima administração. Com 64 anos de idade, é uma das pessoas com maior experiência na Casa Branca, com um trajeto que começou na presidência de Ronald Reagan. Mas esses planos foram por água abaixo e, agora, Deborah Birx indica que ficará mais algum tempo para ajudar a transição para a equipa de Biden e, depois, irá pedir a aposentação.

“Esta experiência tem sido um pouco esmagadora. Tem sido muito difícil para a minha família”, confessou em entrevista televisiva Deborah Birx, vista como uma das pessoas, a par de Anthony Fauci, que têm servido de contra-peso às decisões de Donald Trump na política de saúde e na gestão da pandemia. No final de fevereiro, foi nomeada a coordenadora na resposta ao coronavírus nos EUA e chegou a estar numa short list para secretária da Saúde (o equivalente a ministra da Saúde).

Deborah Birx, a especialista que Trump tornou viral e que Fauci chama de “super estrela”, pode liderar a Saúde nos EUA

Como recorda a BBC, em novembro, em antecipação ao Dia de Ação de Graças, Deborah Birx fez um apelo expresso a que os norte-americanos passassem a data festiva apenas com os meus do seu agregado familiar, com quem já vivem habitualmente, para não gerar riscos. Aliás, a cientista disse mais tarde que alguns norte-americanos teriam “cometido erros” ao viajar nesta data e que, portanto, deviam agir nos dias seguintes partindo do “pressuposto de que estariam infetados”.

Mas foi revelado, este domingo, que a própria Deborah Birx viajou por aqueles dias de Washington para uma das suas propriedades, na ilha Fenwick em Delaware, onde promoveu um encontro familiar com pessoas de três gerações.

Perante o escândalo mediático, Birx garantiu que foi à sua quinta em Delaware para a preparar para potencialmente a vender nos próximos tempos, embora tenha admitido que promoveu um almoço com vários familiares enquanto lá estava. Mas tentou justificar a decisão dizendo que “a minha filha não sai de casa há 10 meses e os meus pais têm estado isolados há 10 meses – e estão num estado muito deprimido, como muitos idosos estarão, por não poderem ver os filhos e os netos”.

Os pais de Birx vivem noutra propriedade sua, em Potomac (Maryland), e são visitados de vez em quando pela cientista.