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Depois de ter encerrado as conversações com o grupo sul-coreano Hyundai-Kia, a Apple também fechou a porta à possibilidade de ser a Nissan a eleita para vir a produzir o seu futuro veículo eléctrico e autónomo – o projecto Titan de que há muito se fala, entre avanços, recuos e alguns silêncios pelo meio. A aparente letargia do Apple Car foi quebrada com a confirmação que a tecnológica está mesmo decidida a entrar numa área de negócio que lhe é completamente nova, algo que “não assusta” o Grupo Volkswagen, conforme as recentes declarações do CEO Herbert Diess.

Goradas as conversações com o grupo sul-coreano Hyundai-Kia, a Nissan apresentou-se como uma alternativa viável para produzir o eléctrico da Apple. Porém, segundo o Financial Times (FT), a discussão de uma parceria entre os japoneses e a marca da maçã terá durado pouco. Alegadamente, as conversações foram dadas por encerradas quando o tópico da negociação versou sobre o emblema que o carro teria. Isto porque a Apple faz questão de exibir a maçã e a Nissan não considera sequer a possibilidade de se ver reduzida ao papel de um mero fornecedor/construtor.

De acordo com as declarações do director de Operações da Nissan ao FT, Ashwani Gupta, os japoneses saíram da mesa das negociações por não admitirem “mudar a forma como a Nissan faz carros”, justificou Gupta. Segundo ele, o fabricante nipónico está na disponibilidade de trabalhar com empresas de tecnologia, à medida que aumenta o interesse por veículos autónomos, mas essas empresas [Apple incluída] teriam de “adaptar os seus serviços ao nosso produto e não o contrário”.

A Apple está interessada em fechar acordo com um construtor convencional, com experiência e, idealmente, com capacidade instalada de produção nos Estados Unidos da América, eliminando assim a necessidade de exportar para o segundo maior mercado automóvel mundial. Por outro lado, a gigante tecnológica também exige sigilo, o que é normal nesta fase do projecto. Mas se estes três requisitos são considerados essenciais, as contrapartidas oferecidas aos construtores abordados não passam pela sinergia de tecnologias, o que tem afastado os potenciais candidatos e levado a lista de hipóteses a encolher.

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