Michael Osterholm, o especialista em epidemiologia que fez parte da equipa de conselheiros de Joe Biden sobre a Covid-19 deixou um aviso: se a variante britânica se tornar dominante nos EUA poderá causar em abril uma terceira onde de infeções sem precedente.

“A vaga que provavelmente ocorrerá por causa desta nova variante inglesa deve começar nas próximas seis a 14 semanas”, afirma Osterholm à cadeia televisiva NBC News. Se isso acontecer “podemos assistir a algo nunca antes visto neste país”, acrescentou. Até à passada terça-feira, o Center for Disease Control norte-americano identificava 1881 casos confirmados de infeção por esta estirpe que em Portugal, por exemplo, chegou a 60% dos novos infetados.

Osterholm, que ocupa também o cargo de diretor do Center for Infectious Disease Research and Policy da Universidade do Minnesota, lembrou que esta variante tem a “a capacidade de causar mais infeções e sintomas mais graves”. Boris Johsnon, a 22 de janeiro, chegou a anunciar que investigações perliminares sobre esta estirpe sugeriam que fosse mais mortal porque as pessoas eram infetads por uma carga viral mais forte. Mais tarde, o responsável máximo pelo aconselhamento científico do governo britânico, Patrick Vallance, estimou que a variante pudesse ser 30% mais letal, ainda que reforçasse a ideia de que esta estimativa carecia de fundamentação mais precisa.

O epidemiologista reforçou a importância de o programa de vacinação norte-americano não só garantir a segunda toma a todos os que já tiveram a primeira mas também da aceleração do processo de administração das primeiras doses: “Temos de dar o máximo de primeiras doses possível!”, reforça. Isto, segundo a sua experiência de “mais de 45 anos nas ‘trincheiras'”, será importante para minimizar essa nova onda.

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As declarações de Osterholm surgem num momento em que algumas zonas dos EUA começaram a atenuar as restrições de controlo à Covid-19, dada a recente quebra no número de infeções. O Business Insider, por exemplo, refere que o estado de Illinois começou a permitir que grupos de 10 pessoas se pudessem sentar dentro de restaurantes e bares.

“Todos queremos acabar com esta fadiga e fúria pandémica”, afirma, mas os norte-americanos vão ter de compreender a necessidade de precaução, caso contrário “vamos abrir os restaurantes para os fechar logo a seguir”.

Osterholm critica ainda a  fraca capacidade das autoridades de saúde dos EUA em identificar e rastrear as novas variantes do coronavírus, dizendo mesmo que neste momento “estão a navegar às escuras”. Por isso mesmo deixa ainda um outro aviso:  “Estejam à espera do inesperado”.