O livro português “Plasticus Maritimus”, da bióloga Ana Pêgo e da escritora Isabel Minhós Martins, ilustrado por Bernardo P. Carvalho, está entre os candidatos ao prémio francês Livro Ecológico da Juventude 2021, cujo júri é composto por crianças.

Plasticus maritimus. Como explicar o problema do plástico às crianças

A edição francesa de “Plasticus Maritimus, uma espécie invasora” é um dos seis nomeados na categoria Petit Felipé, de livros para crianças entre os oito e os onze anos, segundo informação disponível no site oficial do Festival do Livro e da Imprensa de Ecologia (Felipé) que, desde 2004, atribui o Prémio do Livro Ecológico da Juventude.

“Depois de fazer uma seleção de livros, a equipa do Felipé reúne um júri composto por crianças [com idades entre os sete e os 12 anos] que escolhem os vencedores”, lê-se no site do festival.

A partir de 2019, o prémio passou a ser atribuído em duas categorias: Petit Felipé (oito-onze anos) e Tout Petit Felipé (seis-oito anos).

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Os vencedores são anunciados em junho.

Editado em 2018 pela Planeta Tangerina, “Plasticus Maritimus” é um livro informativo sobre meio ambiente e um guia de exploração, para os leitores que queiram também ser mais ativos na defesa da natureza, escrito pela bióloga Ana Pêgo, juntamente com Isabel Minhós Martins, e ilustrado por Bernardo P. Carvalho.

Inspirada na nomenclatura científica que identifica as espécies da natureza, a bióloga Ana Pêgo criou, em 2015, um bilhete de identidade para designar a presença de plástico nos oceanos – Plasticus Maritimus.

A partir daí, desenvolveu todo um trabalho de consciencialização para o problema, com a realização de oficinas para crianças, exposições com o plástico recolhido em praias e partilha de informações com outros ativistas.

Na obra explica-se, por exemplo, que um ‘beachcomber’ é alguém que recolhe lixo nas praias e se torna num “colecionador que se interessa pela origem e pela história dos objetos que encontra”.

Há ainda dados estatísticos sobre a vida na Terra e sobre poluição – por exemplo, uma garrafa de plástico demora 450 anos a degradar-se -, é dado um enquadramento histórico sobre a produção de plástico e uma cronologia sobre “coisas importantes que já aconteceram entre pessoas e oceanos”.

As autoras deixam ainda conselhos práticos para uma ‘saída de campo’, para recolha de lixo, e enumeram tipos de ‘plasticus maritimus’ comuns e raros que se encontram nas praias, como beatas de cigarro, palhinhas, cotonetes, pequenos brinquedos, moedas e lancetas de diabéticos.

O livro, cujos direitos foram já vendidos para tradução em catalão, galego, espanhol, chinês, checo, inglês, francês, italiano, coreano e polaco, recebeu em 2020 uma menção na categoria de melhor livro de não ficção na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, Itália.

A edição francesa de “Plasticus Maritimus” está também nomeada aos prémios literários franceses Sorcières, destinados à literatura para os mais novos, na categoria de não-ficção.

A lista de nomeados aos prémios foi divulgada no final de janeiro pela Associação de Bibliotecários de França e pela Associação de Livrarias Especializadas para Jovens e os vencedores são anunciados este mês.

Os Prémios Sorcières (feiticeiros, em tradução literal) foram criados em 1986, pela Associação de Livrarias Especializadas para Jovens, em parceria com a Associação de Bibliotecários de França, e reconhecem, em seis categorias, a produção literária para crianças e jovens que é publicada no mercado francês.