É uma das provas mais duras do mundo e quem quiser entrar nos míticos fuzileiros navais norte-americanos, tem que a ultrapassar.  Desta vez 53 mulheres não só fizeram com sucesso o “The Crucible” como o realizaram pela primeira vez num campo de treino até aqui exclusivo dos homens: Camp Pendleton, na California, quebrando uma das últimas barreiras de género nas forças armadas dos EUA.

Neste exercício de 54 horas, as mulheres carregaram as mesmas mochilas de 23 quilos do que os homens e até os transportaram aos ombros quando isso foi necessário como testemunhou a agência Reuters que acompanhou a prova em Pendleton, a extensa e montanhosa base da Marinha a cerca de 65 km a norte de San Diego, e assistiu à entrega dos emblemas Eagle, Globe e Anchor às novas “marines”.

Os recrutas, tanto mulheres como homens, patrulharam uma aldeia simulada atingida por  explosões e tiros de metralhadoras e explosões, onde tiveram de lutar em gaiolas e passar por uma pista difícil de obstáculos, depois de só terem dormido três horas por noite.

Como explica a agência de notícias internacional, anteriormente as recrutas e instrutoras estavam limitadas ao outro campo de treinos da Marinha de guerra, em Parris Island (South Carolina), que forma 3.400 fuzileiros navais por ano — cerca de 10% do número total criado em ambas as costas. Mas na quinta-feira houve mulheres na Costa Oeste a tornarem-se fuzileiros em Camp Pendleton, igualando o grupo feminino que, em 2017, tinha ingressado nos fuzileiros navais em Parris.

Quebraram mais uma barreira de género no ramo das Forças Armadas dos Estados Unidos que tem sido mais resistente à integração de mulheres. O Corpo de Fuzileiros Navais tem consistentemente ficado atrás dos outros forças militares: em 2018, 8,6% deste ramo tinha mulheres, enquanto que a média dos todas as forças era de 16,5%. Quando, em 2015, o ex-ministro da Defesa ordenou que todas as funções de combate fossem abertas às mulheres, o corpo naval de fuzileiros solicitou exceções, o único a fazê-lo, que acabaram por ser negadas no papel mas concretizadas na prática. Agora foi dado mais um passo histórico na total integração das mulheres.

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