O líder do Chega, André Ventura, defendeu esta quinta-feira que o Ministério Público deve investigar a partilha, por parte da câmara municipal de Lisboa, de dados dos opositores russos que se manifestaram em frente à embaixada da Rússia em Lisboa em janeiro — e sustentou que o autarca socialista Fernando Medina deve “tirar consequências políticas” do caso.

“Temos que pedir ao Ministério Público que investigue e Medina tem de tirar consequências políticas desta situação”, disse aos jornalistas o líder do partido de extrema-direita. “Não basta dizer que está tudo bem, que cometeu um erro burocrático e que vai continuar o seu mandato exatamente nos mesmos termos.

Medina e o caso dos ativistas anti-Putin. O que se sabe, o que falta saber e o que pode acontecer

“É importante que o Ministério Público perceba se houve aqui pressões internas ou externas em relação a esta matéria. É importante perceber porque é que Lisboa facultou estes dados à Rússia e é importante perceber se Medina vai tirar ou não consequências políticas desta situação“, insistiu Ventura. “É isso que queremos fazer e é isso que vamos exigir.”

Ao início da tarde, André Ventura já se tinha pronunciado sobre o caso na rede social Twitter.

Medina pede “desculpa”. “Erro lamentável e que não poderia ter acontecido”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Fernando Medina tem de explicar se entregou os dados dos ativistas russos por pressões — internas ou externas — ou se foi um ‘erro burocrático’, como lhe chamou o Presidente da Câmara de Lisboa”, escreveu o líder do Chega. “Este comportamento de subserviência tem de acabar em Portugal.

O caso, noticiado na quarta-feira pelo Observador e pelo Expresso, remonta a janeiro deste ano, quando três cidadãos russos (dois deles também com nacionalidade portuguesa) organizaram uma manifestação em frente à embaixada russa em Lisboa pedindo a libertação do ativista Alexei Navalny, detido em 17 de janeiro depois de aterrar em Moscovo.

A câmara municipal de Lisboa, a quem foi pedida a autorização formal para o protesto, enviou à embaixada da Rússia os nomes, moradas e contactos dos organizadores. Fernando Medina já veio pedir desculpa pelo caso e justificar o que aconteceu com um procedimento administrativo habitual.

Carlos Moedas insiste no pedido de demissão de Medina: “É ele quem está desesperado”

Os vários partidos têm-se pronunciado duramente contra Fernando Medina depois de o caso ter sido conhecido esta quarta-feira. O principal opositor de Medina na corrida autárquica na capital, o social-democrata Carlos Moedas, já veio exigir a demissão do autarca.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o caso é “lamentável” e assegurou que iria procurar perceber ao detalhe o que se passou. O PSD já anunciou que vai levar o caso às instituições europeias, mas a embaixada da Rússia já veio desvalorizar a situação e assegurar que a ativista pode regressar a casa tranquilamente. “Não interessam nem à Embaixada em Lisboa, nem a Moscovo os tais indivíduos com imaginação malsã“, disse a embaixada.