Um grupo de especialistas vai debater na terça-feira, num webinar organizado pela Efe e pela delegação da União Europeia (UE) no Brasil, os desafios urgentes na luta contra a desinformação, centrado em casos no Brasil e Europa.

O fórum, que será realizado via digital, conta com a presença da jornalista brasileira Patrícia Campos Mello, autora do livro “A máquina do ódio”. Participam ainda Aline Osorio, coordenadora do programa de luta contra a desinformação nos processos eleitorais no Tribunal Superior Eleitoral, instituição de que é secretária-geral, e Isaaf Karhawi, doutorada em comunicação e investigadora de comunicação social na Universidade de São Paulo, que abordará os novos rumos das ‘fake news’.

A diretora da Efe Verifica, Desirée García, irá abordar o trabalho que tem vindo a realizar na agência de notícias Efe desde que em 2019 lançou uma área específica para verificar dados, no âmbito do combate à desinformação em todas as áreas da comunicação.

Apesar de não ser a primeira vez que a Efe organiza um fórum deste género, esta é a primeira ocasião que o tema é analisado no mundo lusófono. De acordo com a Efe, o webinar pode ser acompanhado através da plataforma YouTube.

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Segundo o relatório Reuters Digital News Report 2021 (Reuters DNR 2021), divulgado na semana passada, cerca de três quartos dos portugueses que utilizam a Internet afirmam-se preocupados com o que é real e falso ‘online’. Segundo o estudo, o relatório deste ano aponta para um nível de preocupação com a desinformação “um pouco mais alto” do que no anterior (58%, mais dois pontos percentuais) – foram analisados 46 mercados, entre os quais Portugal. A preocupação com a desinformação é maior em África (74%), seguida da América Latina (65%), América do Norte (63%), Ásia (59%) e menor na Europa (54%), lê-se no documento.

“Este ano as pessoas afirmam, em média, ter visto mais informações falsas e enganosas sobre o coronavírus (54%) do que sobre política (43%)”, refere o relatório, adiantando que outros tópicos sobre desinformação relacionam-se com celebridades, como atores, músicos e estrelas do desporto (29%), produtos e serviços (22%) e mudanças climáticas (20%). “Apenas no Quénia se percebe que a exposição à desinformação política supera a relativa à Covid-19”, adianta.