O processo foi atribulado e a candidatura arranca tarde, mas o PS empenhou-se, esta quinta-feira, em dar garantias de que está “unido” em torno do objetivo de reconquistar a Câmara Municipal do Porto. Consciente do impacto negativo que a ideia de que o PS desistiu da autarquia pode transmitir, o candidato, Tiago Barbosa Ribeiro, recorreu a um lema de Mário Soares para assegurar que está na corrida de corpo e alma: “Só é derrotado quem desiste de lutar”.
A frase é indicativa do estado de espírito dos socialistas: por um lado, porque o processo de decisão se arrastou por mais tempo do que estava previsto, envolveu avanços e recuos de possíveis candidatos e até uma ‘nega’ pública da escolha que António Costa apoiava, o secretário de Estado Eduardo Pinheiro. Por outro, porque nas hostes do PS é dado por adquirido que, a não ser que haja uma grande surpresa na noite eleitoral (que será entre o final de setembro e o início de outubro), a corrida será, mais uma vez, ganha por Rui Moreira.
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Ora é a Tiago Barbosa Ribeiro que toca assumir esta missão espinhosa. Foi na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, que depois de um encontro com a direção do PS garantiu “nunca ter deixado de ter o apoio” do partido: “Ninguém pode ser candidato, sobretudo numa autarquia com a relevância do Porto, sem o apoio do partido”, defendeu.
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Se o próprio António Costa ou figuras do partido como Manuel Pizarro, presidente da distrital do Porto, já admitiram publicamente que Moreira está na posição mais vantajosa para vencer a corrida, o candidato assumiu as dificuldades mas defendeu-se: “Um político vai a combate independentemente das condições para sucesso ou insucesso estabelecidas. É em torno desses valores que vou à luta, e do valor que Mário Soares ensinou: só é derrotado quem desiste de lutar”.
Questionado sobre se o timing da decisão, que acabou por se arrastar (o candidato foi anunciado a 14 de junho), pode prejudicar a campanha, Barbosa Ribeiro justificou a demora com o “empenho no combate à pandemia” que o PS, por ser partido de Governo, tem mostrado. E aproveitou para se pôr em campo contra o adversário do PSD, Vladimiro Feliz: “Está há três ou quatro meses em campanha e não é por isso que está com especial força no terreno”.
“Não há vitórias antecipadas”
O resto das garantias coube a José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS, que tinha estado na reunião com Barbosa Ribeiro — e que há semanas ainda fazia parte da lista de possíveis candidatos, antes de ter anunciado a sua indisponibilidade. Carneiro não mostrou dúvidas em fixar um objetivo: “O PS”, graças ao seu “legado histórico” no Porto, “tem todas as razões para se bater por um bom resultado eleitoral, e um bom resultado é ganhar as eleições”, garantiu.
Com elogios à experiência de Barbosa Ribeiro no Parlamento (onde coordena os deputados do PS na Comissão do Trabalho), Carneiro insistiu: apesar de nos bastidores se assumir que sim, “não há vitórias antecipadas”, nem sequer de Moreira.
O homem do aparelho do PS explicou o raciocínio: “O PS tem no Porto uma proximidade eleitoral, que são cidadãos que se identificam com os seus ideais, entre 25 e 30%”. E aproveitou para lançar um desafio ao PSD (para impedir a maioria absoluta de Moreira?): “Importa que outros partidos, PSD, cumpram a sua função para que estejamos em condições de fazer uma disputa eleitoral aberta”.
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Se não houver essa maioria absoluta, não é certo o que acontecerá: Moreira já trabalhou com Manuel Pizarro como vereador e esta semana, em entrevista ao Observador, admite tentar chegar de novo a acordos para “garantir a governabilidade” da Câmara, garantindo que só uma aliança com Vladimiro Feliz estaria excluída à partida. Para já, e apesar de partir mais tarde para a corrida, o PS quer ganhar terreno.