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É certo que a Lamborghini já tem no Urus o seu bestseller, com mais de 15 mil unidades comercializadas, mas a imagem do construtor de Sant’Agata Bolognese foi construída com modelos que nada têm a ver com a carroçaria SUV. O emblema do touro está associado a superdesportivos baixos, leves, potentes e eficazes e é justamente cumprindo todos estes requisitos que a marca recupera um dos seus veículos mais emblemáticos, o Countach, que surgiu em 1971 e permaneceu em produção até 1990.

Cinquenta anos depois, o clássico está de volta com a necessária modernização, isto é, deitando mão à electrificação para se impor como um superdesportivo de respeito. Foi precisamente esta a mensagem que o construtor italiano levou até Pebble Beach, nos Estados Unidos da América, onde a nova “máquina” da Lamborghini foi desvendada no The Quail. Aí surgiu o novo Countach, com óbvios traços que remetem para o modelo original, caso das quatro saídas de escape, do desenho dos arcos das rodas, do desenho dos faróis e até das entradas de ar laterais, entre outros detalhes como pode conferir no vídeo abaixo:

Mas se todos estes detalhes são uma reminiscência do passado, a realidade é que o fabricante italiano está apontado ao futuro e este passa, necessariamente, pela electrificação. E é aqui que a Lamborghini dá o salto em frente, propondo uma mecânica híbrida sofisticada, herdada do Sián. Significa isto que também no mais recente superdesportivo da casa se encontra não uma bateria convencional, como nos restantes híbridos que há por aí, mas sim um supercapacitador de 48V e 600 amperes. A opção permite oferecer o triplo da potência (palavra-chave na Lamborghini) de um vulgar acumulador de iões de lítio, entregando 34 cv e 35 Nm, para um peso de apenas 34 kg, o que redunda numa relação capacidade/peso de 2400W/kg.

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O coração da mecânica está entregue a um V12 de 6,5 litros naturalmente aspirado e montado em posição longitudinal posterior a 60º, que debita 780 cv e 720 Nm às 6750 rpm, podendo o regime ser elevado até às 8700 rpm. Contas feitas, o resultado impressiona, pois sempre são 120 cv por litro. Combinando o apoio eléctrico com o motor a combustão e uma caixa de dupla embraiagem com sistema 4×4 de acoplamento Haldex, a potência combinada é enviada para as quatro rodas: nem mais nem menos que 814 cv. Nada mau, atendendo a que o último Countach que foi lançado em 1895 (o LP500 QV) extraía 455 cv do V12 da época…

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Trinta e seis anos depois, a potência quase que duplica e as cifras da performance são esmagadas. Os 295 km/h de velocidade máxima no passado ficam mesmo lá atrás, pois o novo Countach LPI 800-4 alcança 355 km/h, depois de passar pelos 100 km/h em escassos 2,8 segundos, sendo que a barreira dos 0 a 200 km/h é ultrapassada em apenas 8,6 segundos. Mas porque a eficácia da travagem é tão importante quanto a capacidade de aceleração, o Countach que vai começar a ser entregue aos clientes no primeiro trimestre de 2022 vem com a garantia de que é capaz de ir de 100 a 0 km/h, à completa imobilização, em somente 30 metros. E quanto é que valem todos estes números? Certamente que um bem redondo, mas a marca não avança preços, limitando-se a confirmar a informação que circulou previamente, isto é, que só serão produzidas 112 unidades, decisão que é justificada pelo facto de o Countach original ter sido desenvolvido sob o nome de código interno “LP 112”.

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