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Ao Mazda MX-30, o primeiro eléctrico do construtor japonês, falta autonomia devido a um pack de bateria de capacidade reduzida. Mas o fabricante está apostado em propor uma mecânica com range extender (ou REX), uma solução para a extensão da autonomia similar à que a sua conterrânea Nissan também defende e que denomina E-Power, estando já a ser utilizada no Japão no Note, devendo chegar à Europa com o Qasqhai antes do final do ano.

Os sistemas REX destinam-se sobretudo a um veículo eléctrico – o motor alimentado por bateria é o único que trata da locomoção do veículo –, em que a bateria é mais pequena do que seria necessário (com vantagem nos custos e no peso), porque existe um motor de combustão a funcionar como gerador de energia. A solução não é nova, uma vez que já foi realizada pela Opel no Ampera e pela BMW no i3 REX, com ambos os construtores a abrirem mão das suas criações porque deixaram de ser competitivas, na medida em que os preços cada vez mais baixos das baterias tornavam obsoleto o rendimento do motor de combustão a gerar electricidade.

A Mazda já tinha há muito manifestado a sua intenção de fazer renascer o motor rotativo, que originalmente é uma solução alemã, inventada por Felix Wankel, e pela qual nenhum outro fabricante se sente atraído devido à dificuldade em fazê-lo funcionar de acordo com os limites de emissões poluentes (tipicamente consome óleo, o que é mau para o ambiente). Mas a Mazda é um construtor persistente e adora o motor rotativo com que venceu as 24h de Le Mans, estando apostada em fazê-lo regressar à vida como base dos REX e também como o motor de combustão das mecânicas híbridas plug-in (PHEV).

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O eléctrico REX com base no motor rotativo já deveria estar disponível, mas ao que parece a Mazda deparou-se com dificuldades técnicas com que não contava. Ainda assim, no Japão, a fazer fé na publicação Best Car, é esperada a introdução do motor rotativo no mercado local na próxima Primavera, inicialmente ao serviço dos Mazda com mecânicas híbridas e PHEV.

Se isto é uma boa notícia, ela não chegou sozinha. Segundo a já referida publicação japonesa, a Mazda tem igualmente estado a trabalhar no hidrogénio, não como base para um gerador de energia através de células de combustível (fuel cells), mas sim como combustível destinado à queima num motor de combustão. Há uma grande diferença entre utilizar hidrogénio como combustível para queimar num motor de combustão e para fazer funcionar uma fuel cell, com esta última a ser mais eficiente (60% em vez de 35%) e a evitar a produção de NOx para a atmosfera.

Se a Mazda conseguir fazer funcionar correctamente o motor rotativo a hidrogénio, será uma vitória para a marca e para esta tecnologia, uma vez que o resultado final será muito mais interessante do que o que seria obtido por um Wankel a funcionar a gasolina. A Mazda não desmentiu a notícia da Best Car, o que já é um bom sinal, especialmente porque existe a possibilidade de vir a ser esta a mecânica para a versão de produção do belo e esguio RX Vision Concept.