Colete, camisa azul-bebé, calça clara e sapatilhas, Carlos Moedas chega ao Largo do Camões, em Lisboa, pouco depois das 22h30, hora marcada. Bebe um café, troca umas palavras de circunstância, verifica se estão todos e atira-se para o coração do caótico e babilónico Bairro Alto.

Vai mais para ouvir as queixas dos comerciantes (falta de segurança, regras incompreensíveis, falta de articulação entre a polícia, negligência da autarquia) do que para conquistar votos. Até porque entre turistas, jovens adolescentes, estafetas de comida atarantados com a multidão e convivas empenhados nos comes e (sobretudo) nos bebes, poucos havia para convencer a votar.

Nada que atrapalhasse Moedas, apostado em fazer uma campanha sóbria, no sentido figurado e literal do termo — apesar da natural tentação, não houve uma gota de Gin para eternizar o momento. Ao terceiro dia oficial de campanha, e depois de um arranque controlado com um comício cheio no Teatro Trindade, e de um segundo dia exclusivamente dedicado ao debate televisivo a doze, o social-democrata saiu finalmente à rua (Alcântara, Belém, Bairro Alto), mas fê-lo dispensando o habitual foguetório das campanhas mais tradicionais.

Moedas sente-se mais confortável noutro registo. Pára para conversar, chega a pedir desculpa pela intromissão, ouve longos testemunhos, aceita um café de borla a muito custo (“Isto assim não tem jeito”), permite-se a falar da própria experiência de vida (“A minha mãe também nasceu em 1935, mas em Beja”), troca algumas palavras de conforto, promete encontrar soluções e segue para nova paragem, onde o ritual invariavelmente se repete, com uma ou outra diferença mediante o interlocutor.

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