A candidata do BE à presidência da Câmara de Ponta Delgada, Vera Pires, criticou esta segunda-feira a política de transportes públicos no concelho, alegando que não foram criadas alternativas à utilização do automóvel.

“Neste momento é uma falha muito grande no nosso concelho não ter havido nunca essa preocupação, nem um trabalho conjunto entre a autarquia e o Governo Regional”, afirmou a candidata em declarações à agência Lusa, na sequência de uma viagem de mini-bus no âmbito da campanha para as eleições autárquicas de domingo.

Salientando que o serviço de minibus criado em Ponta Delgada, “foi um enorme passo à frente”, Vera Pires sustentou que a rede precisa de ser expandida, para servir mais freguesias do concelho.

“Falta um reforço e uma melhoria das carreiras do minibus que devem ser estendidas para as áreas limítrofes da cidade, nomeadamente até ao aeroporto e até à freguesia de São Roque e progressivamente alargada a outras mais freguesias”, defendeu.

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Além disso, a candidata alertou que esta rede de minibus, da responsabilidade da autarquia, “não se coordena” com o restante transporte público.

No seu entender, a Câmara deve “trabalhar com o Governo Regional, independentemente da cor partidária” para que os cidadãos possam ter “transportes públicos de qualidade”.

Segundo a candidata, atualmente os transportes públicos “são caros” e com horários pouco acessíveis” para quem reside fora do centro da cidade.

Não há transportes públicos a partir do final da tarde. Uma pessoa que mora numa freguesia fora da cidade e que queira vir a Ponta Delgada num domingo não tem minibus. Uma pessoa que queira vir a um espetáculo cultural em Ponta Delgada, se não tiver carro próprio e não morar na cidade, não tem como vir”, apontou Vera Pires.

Para que o transporte público possa ser “efetivamente a alternativa ao transporte individual”, Vera Pires considerou que “essencial a articulação entre os transportes que são responsabilidade da Câmara (o minibus) e os transportes da responsabilidade do Governo Regional que ligam as diferentes freguesias do concelho e os restantes concelhos” de São Miguel.

O Bloco defende “a criação de passes combinados” que permitam utilizar diferentes transportes, diferentes carreiras, numa mesma viagem”, com menos custos para os utentes.

A candidata do BE reiterou ainda a necessidade “muito urgente” de criar “duas pequenas centrais de camionagem que servirão para oferecer melhores condições na utilização destes transportes”.

A criação de um chamado “corredor verde na cidade”, uma reivindicação que o Bloco tem vindo a apresentar, foi outra das medidas propostas por Vera Pires.

Esse “corredor verde” permitiria que a cidade ficasse “interligada por via pedonal ou de bicicleta”, acrescentou.

“Os carros que conseguirmos tirar da cidade é menos poluição que vamos criar, é melhor usufruto para quem mora e trabalha na cidade e é uma condição de melhoria da vida das pessoas”, referiu.

Os candidatos à Câmara de Ponta Delgada são Pedro Nascimento Cabral (PSD), André Viveiros (PS), Vera Pires (BE), Luís Miguel Quental (IL), Luís Franco (Chega), Rui Teixeira (CDU) e Dinarte Pimentel (PAN).

Nas eleições autárquicas de 2017, o PSD venceu a Câmara de Ponta Delgada com 51,28%, alcançando cinco mandatos, sendo que os outros quatro mandatos foram conquistados pelo PS (39,11%).

O BE teve 2,06%, o PAN 1,80%, a CDU 1,05% e a coligação CDS-PP/PPM 0,95%.

Em 11 eleições autárquicas livres, o PSD presidiu quase sempre à Câmara de Ponta Delgada, com exceção do mandato 1989-1993.

As eleições autárquicas estão marcadas para domingo.