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Uma deputada do Partido Trabalhista agiu mal quando disse que “só as mulheres têm um colo do útero”, considerou o líder do partido, Keir Starmer, em entrevista televisiva este fim de semana. “Não é correto dizer isso“, afirmou o líder da oposição, lembrando que a “comunidade transgénero” está entre as mais “marginalizadas” e a lei precisa de mudar no sentido de “proteger” melhor essas pessoas.

A deputada em causa é Rosie Duffield, de Canterbury, que decidiu não participar num congresso do Partido Trabalhista por alegadamente ter recebido ameaças, através da Internet, provenientes de ativistas transgénero. Keir Starmer afirmou, na entrevista à BBC, que deu a sua garantia à deputada de que era seguro participar na conferência mas recusou dar-lhe apoio público.

A deputada tem vindo a ser acusada de “transfobia” depois de, há várias semanas, ter colocado um “gosto” numa publicação controversa feita por Piers Morgan, personalidade televisiva. Piers Morgan criticava, nesse tweet, o facto de a CNN falar em “indivíduos com colo do útero” – “estão a referir-se a… mulheres?”, perguntava, sarcasticamente, Morgan.

Quando alguém notou que Rosie Duffield tinha “gostado” daquela publicação, foi criticada por várias pessoas, incluindo uma ativista pelos direitos das pessoas transgénero, ligada ao Partido Trabalhista. “Juntem mais esta à lista de razões por que Rosie Duffield precisa de ser corrida – é transfóbica“, escreveu essa ativista, que se chama Sarah Cundy.

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Aí, Duffield respondeu de forma indignada. “Certo, então sou transfóbica por saber que apenas as mulheres têm um colo do útero…!?

A polémica subiu de tom, houve quem exigisse a demissão da deputada e foram, até, criadas contas de Twitter falsas em que alguém que se fez passar por Rosie Duffield escreveu conteúdos falsos mas que se tornaram virais – onde a pretensa deputada dizia que estava “farta de representar estas pessoas de m****”.

A deputada, através da conta real, tentou colocar água na fervura dizendo que “o que está em causa não é transfobia, é uma notícia [da CNN] sobre partes do corpo da mulher – escrita de forma insultuosa para todas as mulheres, até mesmo as transgénero e as cisgénero, na minha opinião”.

A deputada terminou dizendo que toda a pressão que sofreu não foi mais do que um “enxovalhamento comunista entediante” e interrompeu a discussão nas redes sociais.

Agora, o líder do seu partido criticou-a por ter dito o que disse. “É algo que não deve ser dito. Não é correto“, afirmou Keir Starmer, pedindo que se faça o debate em torno destas matérias com “maturidade” e “respeito” pelas pessoas.