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Christopher “CJ” Moore, até aqui director do Autopilot, o software de ajuda à condução que a Tesla quer fazer evoluir até alcançar o nível máximo de automatismo, isto é, a condução 100% autónoma, é o mais recente reforço da Apple para colocar na rua o tão falado iCar, de que pouco se sabe. Excepto que é um projecto que se arrasta há anos e que, nos últimos tempos, parece ter saído da hibernação com a notícia de movimentações por parte da tecnológica norte-americana junto de construtores tradicionais de automóveis (Hyundai/Kia, Nissan e, mais recentemente, Toyota), bem como de fornecedores de acumuladores, nomeadamente a LG e a SK Innovation.

Agora, o engenheiro que nos últimos sete anos esteve ligado à Tesla, especificamente concentrado no Autopilot, vai passar a aplicar os seus conhecimentos na Apple, segundo a Bloomberg. Aí reportará a Stuart Bowers, também ele um ex-Tesla.

Bowers entrou no fabricante liderado por Elon Musk em 2018, como vice-presidente de Engenharia e responsável máximo pelo software Autopilot, e saiu passado um ano, no âmbito de uma reestruturação em que Moore ascendeu ao seu lugar. Bowers ingressou depois na Greylock Partners, de onde transitou para a Apple no final do ano passado, justamente para capitanear o desenvolvimento do software de condução autónoma do iCar.

Já Moore, que ainda mantém na rede social LinkedIn o cargo de director do Autopilot, tem um passado pouco pacífico com Elon Musk. Isto porque, em Janeiro, o CEO da Tesla disse estar “altamente confiante” de que seria capaz de colocar na estrada, ainda em 2021, um sistema sem condutor mais fiável que a supervisão humana e Moore sentiu necessidade de relembrar que, por enquanto, o Autopilot (ainda) é um nível 2, ou seja, requer um condutor atento e sempre pronto a intervir. Por outras palavras, desacreditou o empolamento do chefe junto da Divisão de Veículos Autónomos da Califórnia, quando se pretendia discutir a expansão do programa beta da tecnologia Full Self-Driving (FSD). Na realidade, a versão beta do FSD efectivamente permite que os modelos da marca circulem sozinhos, bastando para tal inserir um destino no sistema de navegação, mas legalmente ainda requer a supervisão de um condutor, o que não acontece no nível 5.

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A aparente disponibilidade de Moore para partilhar a sua opinião e dizer o que pensa sobre o Autopilot, de que foi o responsável máximo a partir de Novembro de 2019, levou-o a ser convocado pelo National Transportation Safety Board (NTSB), no âmbito da investigação de duas mortes ocorridas no Texas, alegadamente provocadas pelo sistema da Tesla. Conforme lhe demos conta, as versões iniciais sugeriam que ninguém ia ao volante, mas veio a apurar-se que isso era mentira e que, na altura do acidente, o banco do condutor estava ocupado. O NTSB requereu o testemunho de Moore no âmbito do processo e foi aí que se percebeu que o engenheiro já não está ligado à Tesla.

Esta não é a primeira vez que a Apple tenta dar corpo ao seu quadro de recursos humanos para o projecto Titan, com talentos “extraídos” da Tesla. O designer Adrew Kim, o especialista em motores Michael Schwekutsch e o vice-presidente de engenharia Steve MacManus deixaram de vestir a camisola da Tesla para defender as cores do carro eléctrico e autónomo da Apple, que ainda ninguém sabe como realmente vai ser e se, tal como os restantes produtos da marca, vai fazer a diferença do ponto de vista do design e da vanguarda tecnológica.