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Muitas vezes a mesma frase dita com tons diametralmente opostos pode ganhar um significado também ele diferente e foi isso que se percebeu na conferência de imprensa após a derrota do Manchester United frente ao Watford, quando Ole Gunnar Solskjaer garantiu que considerava ter todas as condições para dar a volta à difícil crise de resultados que a equipa atravessa. Disse isso mas não sentia. Na verdade, nem ele próprio parecia acreditar nisso mesmo. E o cenário de saída tantas vezes já colocado esta época tornou-se numa verdadeira inevitabilidade, perante uma série de sete jogos na Premier League com uma vitória.

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Na última noite, a imprensa inglesa garantia que o norueguês tinha chegado a um fim de linha, após uma reunião de emergência de cinco horas da administração do clube. Esta manhã chegou a confirmação, com o acrescento de que o antigo médio e agora adjunto Michael Carrick ficará como técnico interino.

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“O Manchester United comunica que Ole Gunnar Solskjaer deixou o papel de treinador. O Ole vai ser sempre uma lenda no Manchester United e é com pena que tomámos esta difícil decisão. Embora as últimas semanas tenham sido dececionantes, elas não devem ensombrar o trabalho que ele fez nos últimos três anos”, comunicaram os red devils através de um texto colocado nas plataformas do clube.

Ainda não são conhecidos muito pormenores a propósito da rescisão de contrato, a não ser alguns como o facto de o treinador se ter começado a despedir ainda no sábado de alguns jogadores e demais elementos do United, mas estima-se que o clube tenha de pagar um valor a rondar os 7,5 milhões de libras (cerca de nove milhões de euros) que podem ser negociados entre as partes. Solskjaer era o quinto técnico mais bem pago da Premier League, atrás de Pep Guardiola, Jürgen Klopp, Brendan Rodgers e Marcelo Bielsa.

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Um desses nomes é curiosamente um dos que estão melhor colocados na corrida à sucessão do treinador, neste caso Brendan Rodgers, do Leicester. E também há uma possível surpresa que viria do estrangeiro, o neerlandês Erik ten Hag do Ajax. Contudo, e mais do que nunca, Zinedine Zidane é o grande desejo para ocupar o comando técnico do Manchester United – pelo carisma, pelo currículo de vitórias pelo Real onde ganhou por exemplo três Champions seguidas, pelo impacto que poderia ter no plantel, pela relação que tem também com Ronaldo ou Varane. Se aceitará ou não, aí está ainda a dúvida.

Um dos pontos mais abordados na imprensa inglesa nas últimas semanas esteve relacionado com a forma como os red devils não conseguiram ver mais à frente e “reservar” o italiano Antonio Conte, que na altura estava livre depois da saída do Inter campeão mas que acabou por aceitar o convite para suceder a Nuno Espírito Santo no Tottenham. Agora, no caso de Zidane, a questão será outra e passa pelo desejo que o antigo internacional francês pode manter de comandar a seleção gaulesa a breve ou médio prazo.

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