O líder do PS apareceu de gravata — o tal acessório que já disse ser o do primeiro-ministro — ainda que a tarde fosse de pré-campanha. E foi também no discurso que começou logo com um ataque ao PSD de Rui Rio e às exclusão de apoiantes do seu adversário interno nas listas de candidatos a deputados. “No PS nunca houve tradição de excluir quem quer que seja”, atirou António Costa logo no arranque do seu discurso com Rui Rio como destinatário.
Sem nunca referir o nome do eu adversário ou do PSD, o socialista falou da “marca de Mário Soares” no PS, “um partido plural que sabe viver a vida interna de forma democrática, respeitando uns aos outros, mas sabendo sempre superar as divergências”. A referência tinha nas entrelinhas o processo de elaboração das listas de candidatos a deputado pelo PSD e surgia quase ao mesmo tempo que o Público noticiava a exclusão de Francisco Assis das listas do PS. O socialista que nos últimos seis anos criticou a geringonça — e que entretanto foi nomeado para presidente do Conselho Económico e Social — não foi uma escolha de Costa para se candidatar a estas legislativas, ainda que Manuel Pizarro garanta que o partido conta com Assis.
Assis fica fora das listas do PS. “Isso não o exclui do próximo ciclo político”, diz Pizarro
Feita a crítica ao PSD — que não tinha sido a única da tarde, António Costa prosseguiu no discurso e foi direito ao momento político, que dramatizou. “Todos precisamos de todo neste ato eleitoral”, afirmou o socialista no centro de congressos na Alfândega do Porto onde se realizou o Fórum Nacional do PS para a preparação do programa do Governo que vai apresentar a 3 de janeiro. “São eleições que ocorrem num momento decisivo para o país em que ainda temos uma pandemia para combater. E em que não podemos perder um segundo e perder oportunidade extraordinária” que é o Plano de Recuperação e Resiliência.
Costa diz mesmo que a corrida é “contrarrelógio” e que “o tempo está a contar”, com seis anos para executar os recursos que virão de Bruxelas para a recuperação pós-pandémica. E é neste contexto que o líder socialista coloca todo o peso e também a confiança de que o que está a viver, as eleições antecipadas, são apenas “uma pausa”.
“Não podemos interromper o caminho que está a ser seguido. Foi-nos imposta uma pausa mas esta pausa tem de se transformar rapidamente em ação, porque não há tempo a perder”, afirmou perante a sala de socialistas mas também alguns convidado representantes da sociedade civil que António Costa chamou para este Fórum.
Uma ao centro e outra no “zangado” Rui Rio. PS abre legislativas em fórum nacional
O primeiro-ministro voltou a afirmar que “a rejeição do Orçamento do Estado para 2022 criou um problema sério ao país. Não é ao Governo — isso era fácil — é ao conjunto do país”. E explicou porquê: “Adiou o reforço imediato de 700 milhões de euros no SNS, o aumento extra das pensões, atrasou as medidas da garantia infantil, adiou muita coisa, mas há uma coisa que não podemos consentir: que o país fique adiado e parado, com soluções provisórias para dois anos” — uma ideia de Rui Rio que Costa rejeita.
Costa prometeu criar “as condições de estabilidade governativa porque são quatro anos decisivos para nos libertarmos da pandemia, para reconstruir o que a pandemia destruiu e para lançar com toda a energia e determinação os meios que nos são disponibilizados”, voltou a reforçar apontando os mais de 16 mil milhões de euros que Portugal vai receber ao abrigo do PRR e também os 24,18 mil milhões que virão do próximo envelope comunitário, o Portugal 2030.
Sobre os três painéis dos Fórum — dedicado ao SNS, à economia e às desigualdades –, António Costa focou sobretudo a necessidade de “aumentar significativamente os salários médios em Portugal”, destacando que o salário mínimo aumentou 40% no últimos anos, mas o salário médio apenas 10%. Isto além do “reforço do SNS” que diz ser “um filho” para o PS: “Temos a maior responsabilidade de o ajudar a desenvolver-se. Sim, o SNS sé o nosso filho e queremos tratá-lo com cuidado”.