As crianças russas estão a aprender na escola sobre a “necessidade” da invasão à Ucrânia e o “perigo que a NATO representa” para a Rússia.
Segundo a Sky News, que cita o governo russo, alunos de todo o país tiveram uma “aula virtual” esta quinta-feira às 12h (9h em Lisboa), sobre o “porquê da missão de libertação da Ucrânia ser uma necessidade”.
O “perigo que a NATO representa” para o país, o motivo para a Rússia ter avançado para “proteger os civis” das regiões Donetsk e Lugansk e “como distinguir a verdade da mentira” na informação, fotografias e vídeos que circulam online foram outros dos temas abordados nesta aula.
Donetsk e Lugansk, as duas regiões que fazem Putin sonhar com a reconstituição do império russo
O tema da invasão à Ucrânia tem sido abordado nas escolas, mas de uma forma específica e controlada. O governo chegou mesmo a distribuir manuais, onde consta a versão do Kremlin sobre a história e sobre dos factos relativos “à operação especial” na Ucrânia.
Por exemplo, um desses livros refere que a Ucrânia não existia enquanto país até ao século XX e que em 2014 houve um golpe de estado que pôs no poder um governo controlado pelos Estados Unidos, lê-se na Al Jazeera, que cita o site russo independente MediaZone.
Após esse golpe de Estado, as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk foram vítimas de um “genocídio” durante oito anos e foi por isso que a Rússia desencadeou uma “operação especial de manutenção da paz”. É, aliás, assim que os professores são obrigados a referir-se ao conflito, estando proibidos de usar palavras como “guerra” ou “invasão”.
Estes livros são usados nas aulas de estudos sociais exclusivamente dedicadas ao conflito, para os alunos entre o 7º e o 11º ano.