Está decidido: Boris Johnson continua a liderar o Partido Conservador. Depois de uma hora de espera, para contar os votos dos 359 deputados, as contas ficaram claras — 211 votos a favor e 148 votos contra. A diferença foi de 63 votos, mas este resultado não fecha o capítulo do escândalo que começou com o caso conhecido como Partygate e dividiu o partido. O número de votos contra traduz-se agora num longo trabalho que Boris terá nos próximos tempos, no meio de críticas internas.

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Esta votação aconteceu depois de 15% dos deputados — o equivalente a 54 membros do partido — terem conseguido avançar com uma moção de censura interna para afastar o atual primeiro-ministro britânico. Em cima da mesa estavam duas opções: se a maioria dos deputados votasse a favor da moção, Boris não poderia concorrer nas próximas eleições; se não fosse alcançada a maioria, Boris continuaria no cargo e imune a moções de censura durante o próximo ano. Confirmou-se às 21h00, quando foram divulgados os resultados, a segunda hipótese.

No entanto, é preciso olhar para o número de votos contra e a favor e até compará-los com os resultados de moções anteriores para se perceber que esta vitória está longe de dar estabilidade ao líder do executivo britânico. Por exemplo, na moção de censura a Theresa May, em 2018, a antecessora de Boris conseguiu manter-se no cargo com 133 votos contra — menos do que Boris Johnson — e, meses mais tarde, acabou ainda assim por anunciar a sua saída.

O número de votos contra que Boris registou esta segunda-feira é também superior ao resultado obtido por Margaret Thatcher, que, em 1990, teve 147 deputados a votar contra.

O futuro de Boris é, por isso, incerto e o deputado conservador Charles Walker admitiu, ainda antes de conhecer os resultados, que poderá haver “guerra” dentro do partido. Confiante na vitória de Boris, explicou ao Channel 4 News que o que realmente interessava era “o que vai acontecer depois com o partido”.

O partido vai dizer ‘certo, ok, tivemos o voto de confiança, agora é hora de seguir em frente, ficar do lado do primeiro-ministro?’ Ou haverá uma tentação de ter uma guerra nos próximos seis, 12, 18, 24 meses?”

Quando se soube que houve 148 votos contra Boris Johnson, um dos deputados conservadores, em declarações sob anonimato ao Telegraph, optou pela sinceridade: “Ele está f*****. Isto é patético”.

Este clima de guerrilha previsível levou Boris Jonhson, no discurso que fez depois de saber os resultados, a focar as suas ideias na união do partido. “Nós precisamos agora de nos unir como governo e como partido”, disse o primeiro-ministro.

Boris considerou que este resultado significa que é possível, enquanto partido, “ajudar as pessoas” e “seguir em frente”. “Isto dá-nos a oportunidade de fortalecer a nossa economia.”

O último esforço de Boris antes da decisão final

Antes do início das votações, Boris falou aos deputados do Partido Conservador, num discurso “parco em piadas e sério sobre política”, revelou James Cleverly, ministro dos Negócios Estrangeiros.

Fim de festa para Boris Johnson?

Mesmo tendo decidido cumprir a sua agenda no dia da votação — falou, por telefone, com Zelensky sobre o envio de mísseis para a Ucrânia —, Boris fez um discurso com o objetivo de recuperar a confiança dos deputados conservadores. Sublinhou que conseguiram, sob a sua liderança, a maior vitória eleitoral dos últimos 40 anos, disse que estava “triste” e falou sobre o futuro. “O melhor ainda está para vir”, referiu, citado pela SkyNews.

Já antes do discurso, os deputados conservadores receberam uma carta com várias promessas do líder do partido. “Vamos cortar os custos do Governo. Vamos cortar os custos dos negócios. E vamos cortar os custos das famílias de todo o país”, escreveu o primeiro-ministro britânico. E acrescentou: “Dos transportes à creche, da energia à habitação — vamos impulsionar a reforma e vamos encontrar maneiras de reduzir cada ponto importante da despesa familiar.”

Estou absolutamente confiante de que, se nos unirmos nos próximos dias, venceremos novamente, iremos recuperar a confiança dos 14 milhões que votaram em nós e continuaremos a servir o país”, prometeu.