Marcelo Rebelo de Sousa, falando do Brasil, ainda não tem decisão tomada sobre uma possível deslocação a Roma, para assistir ao funeral de Bento XVI. O Presidente explicou, em declarações transmitidas pelas televisões, que Papa emérito queria uma cerimónia simples e não um grande funeral de Estado. A Santa Sé, explicou, colocou como ponto de partida na presença de chefes de Estado os convites ao chefe de Estado alemão (nacionalidade de Bento XVI) e italiano. Quanto aos demais chefes de Estado e representações “está ainda a ver-se exatamente a forma compatibilizar a vontade de Bento XVI com o desejo de alguns países e chefes de estado de estarem” na cerimónia.
Bento XVI morreu este sábado, 31 de dezembro. O funeral decorrerá a 5 de janeiro no Vaticano.
Funeral de Bento XVI realiza-se na quinta-feira e será presidido pelo Papa Francisco
Marcelo Rebelo de Sousa que se encontra no Brasil para a tomada de posse de Lula da Silva estará em contacto com outros chefes de Estado, nomeadamente o rei de Espanha e o presidente da Alemanha e, por isso, “haverá oportunidade entre hoje e amanhã de apurar o que é que países próximos de Portugal e do relacionamento com a Santa Sé farão”. Apurar “qual é a posição dos países e sobretudo da Santa Sé”.
Fica desde já a indicação de que “se houver alargamento do critério de outros chefes de Estado se deslocarem eu irei a Roma, mas não tomarei iniciativa antes de ver o que resulta das diligências em curso”.
Em declarações no Brasil, o Presidente português revelou ter enviado as condolências do Estado e do povo português ao Papa Francisco. E fala da visita de Bento XVI a Portugal como “visita excecional” e “visita mais bem sucedida”.
Em 2010, Bento XVI veio a Portugal pelo aniversário de beatificação dos pastorinhos de Fátima e Marcelo Rebelo de Sousa recorda o “grande momento” que foi o encontro com o mundo da cultura, representado pelo cineasta Manoel de Oliveira.
“Foi muito tocante para quem assistiu a esse momento”, já que “era fundamental para o Papa e para o mundo da cultura, quer católico quer não católico, encontrar pontes de diálogo no mundo em transição entre a fé e a razão”.
Também por isso Marcelo Rebelo de Sousa fala da “visita mais bem sucedida de todas” e de “uma visita excecional e diferente do padrão normal”.
Em 2010, Bento XVI visitou Lisboa, Fátima e Porto. Recorde aqui a viagem a Portugal
Para o Presidente, Bento XVI foi um Papa de transição “entre dois mundos e duas épocas durante as quais viveu intensamente, primeiro como muito próximo do seu antecessor João Paulo II, e, depois, como Papa emérito acompanhando o seu sucessor, o Papa Francisco”. Marcelo fala de Bento XVI como “um filósofo, um teólogo, um pensador, um intelectual, um homem da doutrina, e por isso mesmo marcado pelo percurso académico como professor que era e que nunca deixou de ser e que privilegiou um aspeto fundamental que foi, além da afirmação dos princípios da Igreja católica, o diálogo entre a fé e a cultura, a fé e a ciência. Foi talvez a faceta mais criativa do seu curto e muito breve pontificado.
Perfil. Bento XVI, o teólogo rebelde que transformou a Igreja