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De camisa, fato e a ocasional gravata, o vestuário de Volodymyr Zelensky não divergia em nada do visual habitual dos líderes políticos modernos. Na verdade, dada a estatura relativamente baixa do Presidente ucraniano (cerca de 1.70m), poder-se-ia mesmo dizer que este passava despercebido no plano internacional. A 24 de fevereiro de 2022, isso mudou.

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Com o início da invasão russa ao seu país, Zelensky assumiu um papel de protagonismo que até então lhe era desconhecido. Com as suas múltiplas aparições, discursos, declarações, a mensagem em vídeo diária e pedidos de ajuda ao Ocidente, um aspeto rapidamente se destacou: o estilo visual do Presidente ucraniano, consistindo em roupas simples — t-shirt, polo ou sweatshirt — e quase sempre numa cor verde-militar de tom modesto, e mais recentemente, preta.

O que no início pode ter sido apenas uma coincidência acabou por se tornar uma parte integrante da imagem de Zelensky. Vanessa Friedman, crítica de moda do New York Times, escreveu: “[A t-shirt] tornou-se algo mais: um símbolo da força e patriotisimo da população ucraniana, um conjunto de valores e um propósito fundidos num visual que todos conhecem”.

Foi assim que, ao longo do último ano, o ex-ator tornado chefe de Estado recebeu diplomatas, governantes, e líderes mundiais de todo o mundo, empenhados em apoiar a Ucrânia na guerra contra a Rússia. Com o passar dos meses, o visual pouco mudou. Apenas um pequeno bordado em forma de tridente, símbolo dos três ramos das Forças Armadas ucranianas começou a adornar as camisolas com que o Presidente ucraniano falava à nação e ao mundo.

O estilo não se alterou quando, nas últimas semanas, viajou para fora do país pela primeira vez  desde o começo do conflito: primeiro aos Estados Unidos, onde discursou no Senado norte-americano e, já este mês, a Bruxelas e à União Europeia. Em cada aparição, a roupa usada por Zelensky é mais uma arma de comunicação que ajuda o líder da Ucrânia a transmitir a sua mensagem de sobriedade, resiliência e foco no objetivo: a vitória.

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As camisolas verdes-tropa ou pretas de Zelensky estão, no entanto, longe de ser o primeiro exemplo do guarda-roupa usadao por líderes políticos como parte deliberada da sua imagem política. Pelo contrário, num mundo em que a televisão e as redes sociais assumem um papel central no comunicação política, a forma como um político se veste desde sempre funcionou como um importante instrumento para transmitir uma mensagem visual clara, quer a apoiantes, quer a opositores.

A roupa (…) é fundamental na criação e comunicação de caráter. Isto é especialmente verdade em momentos de cerimónia pública: convenções, tomadas de posse, debates, discursos sobre o estado da nação. Até certo ponto, estamos todos sob o olhar das câmaras, a todo o momento”, afirma Vanessa Friedman.

Da boina revolucionária de Che Guevara, ao estilo conservador de Isabel II com a sua eterna malinha, passando pelas mangas arregaçadas de Obama e pelo chapéu “Make America Great Again” de Trump ou o verde-e-amarelo de Bolsonaro, as roupas (e as formas de as usar) simbolizam de tudo um pouco — mudança ou continuidade, resistência ou opressão. Como o último ano de guerra na Ucrânia pode confirmar.

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