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Esta segunda-feira fica sobretudo marcada pelo fim do acordo dos cereais. Depois de meses de ameaças, a Rússia confirmou que a iniciativa, que permitia a passagem em segurança de cereais e outros produtos alimentares ucranianos pelo Mar Negro em direção à Turquia, está a partir desta segunda-feira “suspensa” por, no seu entender, as exigências russas não terem sido salvaguardadas.

Também durante a manhã, a ponte da Crimeia, que liga a península ocupada desde 2014 ao restante território russo, foi novamente alvo de ataque. Os russos falam num ato de “terror” ucraniano. Kiev, oficialmente, não reivindicou o ataque (como é sua prática), mas fontes das secretas ucranianas confirmaram à imprensa internacional que a Marinha e os serviços secretos estiveram envolvidos. O ataque provocou a morte de duas pessoas — um casal com uma filha que, além de perder os pais, também sofreu ferimentos.

“Nem todas as pontes são civis por definição”. Ucrânia defende que ponte de Crimeia é um alvo militar legítimo

Eis um resumo dos principais acontecimentos deste, o 509.º dia da invasão:

O que se passou durante a noite?

  • Lula da Silva criticou Bruxelas pela “corrida armamentista” suscitada pela guerra que, diz, impede que se gaste dinheiro em resolver outros problemas. António Costa respondeu à críticas, afirmando que “qualquer cidadão do mundo acha preferível” gastar dinheiro no combate à fome e à desigualdade do que na guerra, mas que, embora não seja desejável, o investimento em defesa é necessário;
  • António Costa afirmou que a notícia sobre o fim do acordo dos cereais foi “muito mal recebida” em Bruxelas, uma vez que “toda a gente” conhece a importância do acordo para evitar “uma crise alimentar à escala global”;
  • O Presidente russo exigiu às autoridades planos concretos para garantir a segurança da ponte da Crimeia, na sequência de mais um aparente ataque ucraniano, que qualificou como “ato terrorista”;
  • O vice-primeiro-ministro russo, Marat Khusnullin, afirmou que a ponte da Crimeia estará totalmente reparada até ao dia 1 de novembro, explicando que o ataque não causou danos estruturais;

  • Vladimir Putin revelou ter instruído o Ministério da Defesa para preparar uma resposta adequada ao “ataque terrorista” que Kiev não reivindicou oficialmente;
  • Vários mercenários do Grupo Wagner chegaram à Bielorrússia, prosseguindo o plano de realocação para este país após a rebelião do mês passado, de acordo com o grupo local de ativistas Belaruski Hajun;
  • As autoridades bielorrussas disseram ter abatido um drone ucraniano na fronteira entre os dois países. A confirmação surgiu do Comité Fronteiriço Bielorrusso que afirmou que “uma unidade de controlo da fronteira, de serviço no Rio Dnipro, descobriu um drone a violar a fronteira estatal com o território ucraniano”;
  • Um bombardeamento russo na região de Sumy matou duas pessoas — duas idosas de 74 e 76 anos — e feriu outras 10 na região de Sumy, confirmou a polícia ucraniana;
  • Reino Unido, França e Alemanha condenaram a suspensão russa dos acordos do Mar Negro, lamentando que a invasão da Ucrânia tenha atingido o livre fluxo de cereais e imposto fortes impactos na segurança alimentar mundial;
  • O Grupo Wagner anunciou o encerramento da sua principal base no território russo. No Telegram, um canal associado à organização paramilitar publicou um vídeo que mostra as bandeiras mercenárias e da Rússia a serem retiradas das hastes na base de Molkino, em Krasnodar;
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, defendeu que a ponte da Crimeia é um alvo militar legítimo.  “Nem todas as pontes são civis por definição. Esta ponte em particular, primeiro, foi construída ilegalmente, existe fora da lei e é necessário lembrar isso. E segundo, é utilizada principalmente para fins militares e precisamos de a tratar como tal”, destacou em declarações na sede da ONU.

O que se passou durante a tarde?

  • As reações da comunidade internacional à decisão russa não se fizeram esperar, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a condenar a suspensão do acordo;
  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o acordo deve continuar mesmo sem a Rússia. “Mesmo sem a Federação Russa, tudo deve ser feito para que possamos usar este corredor no Mar Negro. Não temos medo”, afirmou;
  • O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu que o homólogo russo, Vladimir Putin, concorda com o prolongamento do acordo de cereais, e prometeu discutir o assunto quando os dois se encontrarem em agosto;

Erdogan confiante que Putin “quer manter” acordo dos cereais após anúncio da suspensão

  • O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou publicamente a decisão da Rússia de suspender a iniciativa, argumentando que a decisão se vai traduzir num “aumento do sofrimento humano” em todo o mundo;
  • O Presidente do Brasil criticou hoje a “corrida armamentista que dificulta ainda mais” a luta contra as alterações climáticas e considerou que a invasão da Ucrânia está a esvaziar recursos;
  • O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky prestou homenagem, esta segunda-feira, às vítimas da queda do avião da Malaysia Airlines MH17, abatido há nove anos, a 17 de julho de 2014, no este da Ucrânia;
  • O Reino Unido decretou novas sanções contra a Rússia, esta segunda-feira, nomeadamente contra o ministro da Educação russo, Sergey Kravtsov, pela deportação forçada de crianças ucranianas para a Rússia.

O que se passou durante a manhã?

  • A Rússia suspendeu hoje o acordo de exportação de cereais pelo Mar Negro a partir de portos ucranianos, argumentando que os compromissos assumidos em relação à parte russa não foram cumpridos;

Ataque assumido por secretas ucranianas a ponte na Crimeia mata casal. Rússia fala em “ato terrorista”

  • Um ataque na ponte da Crimeia matou duas pessoas da mesma família, uma “mãe e um pai”, deixando a filha de ambos ferida, disse o governador da região no Telegram;
  • Fontes das secretas ucranianas confirmaram à BBC e à AFP a autoria do ataque, que terá sido levado a cabo pela Marinha e pelos serviços secretos e terá feito uso de drones subaquáticos;
  • As autoridades russas acusaram o “regime terrorista” de Kiev de cometer “um novo crime” contra “uma infra-estrutura exclusivamente civil”;

  • O assessor de Volodymyr Zelensky, Mykhailo Podolyak, publicou um tweet alusivo ao ataque. Sem confirmar diretamente o envolvimento ucraniano, Podolyak escreveu que  “estruturas ilegais” usadas para entregar “instrumentos russos para homicídios em massa” (a ponte é essencial para levar mantimentos e munições aos soldados russos) “têm necessariamente uma curta duração”.