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Donald Trump diz ter sido instado a comparecer perante o grande júri no caso do ataque ao Capitólio

Este artigo tem mais de 3 anos

Antigo Presidente e atual candidato revelou ter recebido uma carta do procurador Jack Smith instando-o a apresentar-se à justiça em Washington D.C. até quinta-feira. Acusação pode estar iminente.

Former President Trump And Fellow Conservatives Address Annual  CPAC Meeting
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▲Trump anunciou ter recebido carta do procurador através de um comunicado partilhado na sua rede social, a Truth Social

Getty Images

▲Trump anunciou ter recebido carta do procurador através de um comunicado partilhado na sua rede social, a Truth Social

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Donald Trump pode estar prestes a ser acusado no processo que investiga os acontecimentos da invasão ao Capitólio, a 6 de janeiro de 2021. O antigo Presidente norte-americano e atual candidato às próximas eleições revelou ter recebido uma carta do procurador especial a cargo da investigação, identificando-o como um dos alvos da investigação e instando o republicano a comparecer em frente a um grande júri até à próxima quinta-feira.

Foi através de um comunicado, divulgado na sua rede social, a Truth Social, que Trump partilhou a notícia. “O enlouquecido Jack Smith, o procurador com o Departamento de Justiça de Joe Biden, enviou-me uma carta (a um domingo à noite!) a dizer que eu sou um ALVO da investigação do grande júri sobre 6 de janeiro, dando-me apenas 4 dias para comparecer perante o grande júri, o que quase sempre significa uma detenção e uma acusação”, pode ler-se.

Em causa estão os acontecimentos em torno do ataque ao Capitólio, no momento em que o Senado dos EUA procedia à certificação dos votos do colégio eleitoral que reconheciam a vitória de Joe Biden nas eleições de 2020.

Milhares de apoiantes de Donald Trump (que, em meses anteriores, perpetuou uma série de acusações infundadas de fraude eleitoral) invadiram o edifício para tentar impedir que o processo fosse concluído, resultando em confrontos com as forças de segurança que provocaram a morte de 5 pessoas. Ainda na manhã do mesmo dia, Trump participou no comício “Salvem a América”, em Washington D.C., durante o qual incentivou muitos dos seus apoiantes a fazer uma “marcha pacífica” até ao Capitólio.

epa09664285 (14/24) (FILE) - Supporters of US President Trump stand by the door to the Senate chambers after they breached the US Capitol security in Washington, DC, USA, 06 January 2021 (reissued 03 January 2021). Following the November 2020 US presidential election, a tone set by supporters of defeated US President Donald Trump escalated further. Trump, who was refusing to concede the victory of Joe Biden, claiming voter fraud and rigged elections, told supporters and white nationalist extreme-right group Proud Boys to respectively 'Stop the Steal' and to 'stand back and stand by'. His social media accounts were suspended and the alt-right platform Parler gained in user numbers. On 06 January 2021, incumbent US vice president Pence was due to certify the Electoral College votes before Congress, the last step in the process before President-elect Biden was to be sworn in. In the morning, pro-Trump protesters had gathered for the so-called Save America March. Soon after Trump finished his speech at the Ellipse, the crowd marched to the Capitol. The attack had begun. Rioters broke into the Capitol building where the joint Congress session was being held. Lawmakers barricaded themselves inside the chambers and donned tear gas masks while rioters vandalized the building, some even occupying offices such as House Speaker Pelosi's. Eventually in the evening the building was cleared from insurrectionists, and the Congress chambers reconvened their session, confirming Joe Biden as the winner of the 2020 US presidential election. In the aftermath, more than 600 people were charged with federal crimes in connection to the insurgency, and close Trump aides such as Steve Bannon, Mark Meadows and Roger Stone were subpoenaed by the House select committee investigating the attack. Trump himself was acquitted by the Senate in his second impeachment trial, this time for "inciting an insurrection". EPA/JIM LO SCALZO ATTENTION: This Image is part of a PHOTO SET *** Loc JIM LO SCALZO/EPA

Apoiantes de Trump invadiram Capitólio a 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden

Nesta fase, recorda o The Guardian, não é claro que acusações específicas podem estar em cima da mesa; em todo o caso, é verdade que quando as autoridades federais enviam cartas a indivíduos específicos, tal quer, por norma, dizer que uma uma acusação está próxima.

O próprio Trump passou recentemente por um processo semelhante quando, no início do ano, foi convidado a deslocar-se ao tribunal de Nova Iorque para comparecer perante o grande júri, tendo sido “detido” para cumprir as formalidades do processo, nomeadamente a recolha de impressões digitais e a leitura da acusação — na altura estavam em causa alegadas irregularidades no pagamento de um suborno à ex-atriz pornográfica Stormy Daniels, durante a campanha eleitoral de 2016.

O atual favorito à nomeação do Partido Republicano para 2024 continua a dizer que tudo não passa de uma campanha política para o tentar impedir de voltar à Casa Branca. “O Departamento de Injustiça de Joe Biden efetivamente acabaram de decretar uma terceira acusação e ordem de prisão contra o PRINCIPAL OPONENTE POLÍTICO DE JOE BIDEN”, exclamou o ex-Presidente e candidato no mesmo comunicado.

Donald Trump acusado de 37 crimes no caso dos documentos confidenciais levados da Casa Branca

Na mira de Trump, além da administração Biden, está também o procurador Jack Smith do Departamento de Justiça que, além de ser o homem responsável pela investigação aos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021, foi ainda nomeado para liderar o processo relativo aos documentos confidenciais ilegalmente mantidos por Trump depois de este deixar a Casa Branca, e sobre o qual o magnata, de 77 anos, foi formalmente acusado no início do mês de junho.

Recentemente, a equipa de defesa de Trump pediu o adiamento do prazo para o início do julgamento neste processo. Esta movimentação visa atrasar o processo judicial e, no limite, deitar por terra a investigação, uma vez que Trump pode entretanto vir a ser reeleito Presidente nas eleições de 2024, conferindo-lhe imunidade e inviabilizando qualquer julgamento.

Advogados de Trump pedem adiamento do julgamento em caso dos documentos confidenciais

Maioria do Partido Republicano sai em defesa de Trump

Logo após a carta do procurador ter sido tornada pública, as reações começaram a surgir, vindas sobretudo de dentro do Partido Republicano que, na sua maioria, saiu em defesa de Trump.

Uma das primeira vozes a pronunciar-se foi Marjorie Taylor Greene, uma das mais acérrimas (e polémicas) defensoras do antigo Presidente. A congressista do estado da Georgia, que se tornou conhecida durante a pandemia ao defender várias teorias da conspiração relacionadas com as vacinas, acusou os “democratas comunistas” de quererem prender os seus oponentes políticos e descreveu o procurador Jack Smith como um fantoche do partido de Joe Biden.

Também o líder republicano da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy — que chegou a criticar publicamente Trump na sequência do ataque de 6 de janeiro — veio dizer que uma eventual acusação seria um exemplo de “instrumentalização” da justiça, e ecoou a narrativa de Trump de que tal se deve ao facto de este estar a subir nas sondagens.

Sondagem. Donald Trump está 23 pontos percentuais atrás do principal oponente republicano

Entre os adversários de Trump nas primárias republicanas, o sentimento foi mais comedido. De uma forma geral, quase todos disseram não concordar que o magnata viesse a ser acusado — incluindo o principal rival de Trump, o governador da Florida Ron DeSantis, que falou numa “politização” do Departamento de Justiça.

No entanto, houve quem demonstrasse algum cansaço com o protagonismo constante de Trump e dos seus casos na justiça. Nikki Hayley, que foi embaixadora dos EUA nas Nações Unidas durante o mandato do ex-Presidente, disse em declarações à Fox News que a sucessão de polémicas é uma “distração” e um sinal de que é necessária uma “mudança geracional” na liderança do Partido Republicano.

Mais longe ainda foi Asa Hutchinson, também candidato nas primárias republicanas (as sondagens mais recentes dão-lhe cerca de 1% das intenções de voto) e um dos poucos membros do partido abertamente críticos de Donald Trump. Num comunicado publicado no Twitter, o antigo governador do Arkansas considerou que “as ações de Donald Trump no dia 6 de janeiro deviam desqualificá-lo imediatamente de alguma vez voltar a ser Presidente” e instou o favorito à nomeação republicana a suspender imediatamente a campanha.

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