Passaram 587 dias desde que as forças russas invadiram o território ucraniano e durante a manhã desta terça-feira o ministro da Defesa da Rússia garantiu que não está a ser planeada uma mobilização adicional para convocar os russos para a frente da guerra. “Desde o início do ano, mais de 335.000 pessoas começaram o serviço militar com contrato e em formações de voluntários. Só em setembro, mais de 50.000 cidadãos assinaram contratos”, revelou Sergei Shoigu.

As manhã ficou também marcada pela visita do Presidente ucraniano à linha da frente do conflito, onde falou com comandantes sobre a situação no campo de batalha e as necessidades. Volodymyr Zelensky esteve com as brigadas que combatem na direção Kupyansk-Lyman, deixando uma mensagem de incentivo: “Cada guerreiro que destrói os ocupantes a cada passo em frente afirma que a vitória da Ucrânia virá, certamente”, afirmou.

O que aconteceu durante a manhã?

  • Há dois navios no Mar Negro que se encaminham para o porto da cidade de Odessa, segundo dá conta um legislador ucraniano, Oleksiy Honcharenko. As embarcações terão bandeiras das Ilhas Marshall e dos Camarões, segundo noticia a France 24, e os nomes Equator e Maranta.
  • A Arménia decidiu ratificar o Estatuto de Roma, juntando-se assim ao Tribunal Penal Internacional (TPI), que emitiu um mandado de captura em nome do Presidente russo, Vladimir Putin. De acordo com a agência Interfax, 60 deputados do partido Contrato Civil votaram a favor da ratificação do Estatuto de Roma, ao passo que 22 votaram contra.
  • O porta-voz do Kremlin afirmou que a Rússia não abandonou a moratória sobre testes nucleares. “De momento, não deixámos o regime sobre o abandono dos testes nucleares”, disse Dmitry Peskov, sobre as declarações de Margarita Simonyan, editora-chefe do Russia Today que sugeriu que Moscovo deve detonar uma bomba nuclear sobre a Sibéria.
  • A Ucrânia e a Polónia anunciaram que chegaram a acordo sobre o trânsito de cereais ucranianos em território polaco, depois do Presidente Volodymyr Zelensky ter criticado a postura de Varsóvia num discurso na Assembleia Geral da ONU.
  • A Ucrânia detetou uma “diminuição significativa” no número de soldados russos que estão a ser mobilizados em certas zonas da Rússia para combater na Ucrânia. A informação foi divulgada por Pavlo Kovalchuk, porta-voz do Estado-maior das Forças Armadas da Ucrânia.
  • A Ucrânia acrescentou três empresas chinesas de gás e petróleo à lista internacional de companhias que estarão a patrocinar a guerra do lado da Rússia. “Continuam a desenvolver projetos conjuntos com a Rússia e a financiar a indústria estratégia russa ao pagarem taxas substanciais”, segundo cita a CNN.
  • Algumas das principais vozes do espaço de informação russo continuam a especular sobre o futuro do grupo Wagner no seio da Guarda Nacional da Rússia. O Instituto para o Estudo da Guerra cita um blogger ligado ao Kremlin, que indicou que os Wagner chegaram a acordo com a Rosgvardia que implica que os membros do grupo paramilitar assinem um acordo individual e de grupo para serem integrados na guarda antes do dia 1 de janeiro de 2024.
  • As autoridades ucranianas disseram ter abatido 29 de 31 drones russos que tinham como alvos as regiões de Mykolaiv e Dnipropetrovsk foram destruídos. Revelaram também que foi intercetado um míssil cruzeiro lançado pelas forças russas.
  • O Governo japonês disse não ter sido informado de que um deputado nipónico pró-russo se encontra em Moscovo, recusando comentar a visita.
  • A Ucrânia usou bombas de fragmentação para atingir uma localidade na região de Bryansk, acusou o governador russo Alexander Bogomaz. Numa publicação divulgada na conta de Telegram, revelou que várias casas ficaram danificadas no ataque a Klimovo. Não há registo de feridos.
  • O novo ano escolar já arrancou na Ucrânia e muitos alunos em Kharkiv começaram as aulas nas cerca de 60 salas subterrâneas em estações de metro, criadas para garantir a sua segurança face aos ataques russos. O presidente da câmara de Kharkiv anunciou que vão construir a primeira escola subterrânea.

O que aconteceu durante a tarde e início da noite?

  • Joe Biden falou hoje com os líderes da União Europeia e da NATO e voltou a sublinhar o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, adiantou a Casa Branca. Os contactos incluíram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão Olaf Scholz.
  • A Presidente moldava, Maia Sandu, reafirmou esta terça-feira em Lisboa o apelo para que o Ocidente mantenha o apoio à Ucrânia, salientando que os soldados ucranianos também estão a defender a Moldávia.
  • Um ataque russo à região de Kherson, no sul da Ucrânia, fez um morto — um homem de 69 anos — e sete feridos, anunciou o governador, segundo a Sky News.
  • O Ministério da Defesa da Bielorrússia anunciou que deu início a treinos para avaliar a prontidão do combate do seu exército. Segundo a agência Reuters, citado pelo The Guardian, os exercícios serão feitos nas regiões de Minsk e Vitebsk, envolvendo equipamento militar e aviação.
  • O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, disse, numa chamada com o Grupo dos Sete (G7) e os líderes da NATO, que o país apoiará a Ucrânia “durante o tempo que for necessário”, citado pela Sky News.
  • O Reino Unido e a NATO alertaram para o facto de o Ocidente estar a ficar sem munições para enviar à Ucrânia. “Precisamos de grandes volumes. A economia ‘mesmo a tempo’ e de ‘apenas o suficiente’ que construímos juntos em 30 anos é ótima para muitas coisas. Mas não para as forças armadas quando há uma guerra em curso”, disse o almirante Rob Baeuer, o mais alto responsável militar da organização.
  • O Tribunal Constitucional da Moldávia anunciou que os membros do antigo partido pró-Rússia Shor — banido em junho — podem concorrer como candidatos independentes ou por outros partidos às eleições locais.
  • Rússia pede nove anos e meio de prisão para a jornalista que protestou contra a guerra em direto na televisão. Em março, a jornalista russa Marina Ovsiannikova invadiu noticiário para contestar contra a invasão da Ucrânia. Segundo o site de notícias independentes Mediazona, citado pelo The Guardian, a acusação russa exigiu que a jornalista fosse a julgamento pelo crime de distribuição de “notícias falsas”.
  •  A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que Joe Biden estava “interessado em tranquilizar aliados sobre apoio contínuo à Ucrânia, após as recentes decisões do Congresso”, cita o The Guardian.
  • O líder da NATO, Jens Stoltenberg, disse ainda que achou este telefonema “positivo”, tendo o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, acrescentado que os aliados “estão unidos”.
  • Um soldado ucraniano está acusado de ter assassinado dois colegas na noite desta segunda-feira, em Kiev.Segundo o comunicado publicado pelo Ministério Público ucraniano no seu website, “um militar das Forças Armadas estava na capital a beber álcool com dois colegas após um serviço diário”.
  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deslocou-se hoje à frente nordeste e inspecionou tanques e blindados ocidentais.
  • O Ministério de Defesa russo disse ter abatido um míssil ucraniano, junto à costa da Crimeia, revela a Sky News.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador russo da Moldávia, como forma de “protesto”, devido à “pressão dos meios de comunicação de língua russa”, avançou a agência RIA, citada pela Sky News.
  • A cervejaria Carlsberg anunciou que colocou um fim aos acordos de licença para as suas marcas na Rússia, após o país ter adquirido “ilegitimamente” as oito fábricas da empresa dinamarquesa e os seus 8.400, em julho.
  • A cadeia de fast food Burger King continua a funcionar na Rússia, apesar de, em março do ano passado, ter afirmado que se ia retirar, devido à invasão da Ucrânia, revelou a Sky News.
  • Os propagandistas do Kremlin lançaram uma campanha para apagar a letra “Z”, avançou a agência Nexta.
  • A Coreia do Norte criticou um relatório publicado pelo Departamento da Defesa dos Estados Unidos da América, que descreveu o país como “ameaça persistente”, assim como o Irão. O ministro da Defesa, em declarações, à agência norte-coreana KCNA, citado pela Sky News, condenou ainda o relatório, por ter afirmado que a Rússia “representa a ameaça nuclear, biológica e química mais grave a curto prazo”, enquanto que a China é “o desafio mais abrangente e urgente” para os EUA.
  • O presidente do Conselho Europeu classifica a revisão do orçamento comunitário plurianual como uma “tarefa urgente”, prevendo 50 mil milhões para reconstrução da Ucrânia, e considera que a UE tem de “fazer a sua parte” ao apoiar Kiev.
  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que “nas próximas semanas” continuará a “trabalhar ativamente com os parceiros, para garantir que os guerreiros tenham mais armas e munições, especialmente defesa aérea”. “Isto é o mais importante”.
  • O presidente do Conselho Europeu quer, na cimeira europeia de dezembro, ‘luz verde’ dos líderes à abertura de negociações formais para adesão da Ucrânia e Moldávia à União Europeia (UE), insistindo no “claro incentivo” para alargamento em 2030.