Os rebeldes da Síria continuam a ofensiva para derrubar o regime de Bashar al-Assad e estão cada vez mais perto do destino final, Damasco. Este sábado à noite, o exército sírio retirou-se de Homs, uma cidade estratégica que, ao ser capturada, leva a que partes da costa mediterrânica fiquem isoladas e sem contacto com a capital do país que, por sua vez, pode perder o contacto com as bases russas no país.

De acordo com a agência Reuters, que cita autoridades estrangeiras que falaram sob condição de anonimato, os rápidos avanços registados pelos rebeldes em território sírio colocam o governo de Assad em risco. Um funcionário norte-americano acredita que o regime pode cair nos próximos cinco a dez dias, enquanto outras duas fontes defendem que isso pode acontecer já na próxima semana.

Com os rebeldes cada vez mais próximos de Damasco, começaram a surgir dúvidas quanto ao paradeiro do presidente sírio com rumores a dizer que tinha deixado o país. O governo desmentiu o que classificou como “notícias falsas” e garantiu que o líder continuava “na capital, prosseguindo com o seu trabalho e com o cumprimento dos seus deveres para com a nação e para com a Constituição”.

Horas depois do esclarecimento do regime, uma fonte, cuja identidade não foi revelada, voltou a levantar dúvidas ao dizer à CNN que Bashar al-Assad não estava em nenhum dos locais onde seria expectável encontrá-lo e ao alegar que a guarda presidencial já não se encontrava na residência do presidente sírio, um sinal de que o próprio também não estará ali. A família do líder sírio já estará na Rússia.

O ministro da Administração Interna da Síria, Mohammed al-Rahmoun, assegurou que as forças de segurança criaram um “cordão militar e de segurança muito forte” em redor de Damasco que, alegou, “ninguém pode transpor”. Por sua vez, o primeiro-ministro do país, Mohammad Ghazi al-Jalali afirmou, segundo a AlJazeera, que as forças estão a lutar pela sua “identidade nacional” e que a batalha geográfica é “secundária”.

Antes de entrarem em Homs, a terceira maior cidade síria, os rebeldes já tinham, também este sábado, conquistado a cidade de Palmira, que além de ser um local arqueológico histórico, é também um importante ponto estratégico porque controla rotas cruciais entre Damasco e outras zonas da Síria. A ofensiva rebelde parece imparável depois de tomarem a segunda cidade do país Aleppo há cerca de uma semana. Em apenas 24 horas tomaram quase todo o sudoeste do país.

Trump diz que EUA não devem envolver-se na rebelião na Síria. “Esta não é a nossa luta. Deixem correr”

Donald Trump defendeu que os Estados Unidos não devem envolver-se na investida que está a ser protagonizada pelos rebeldes sírios. Na sua rede social, a Truth Social, o Presidente eleito norte-americano, que toma posse em janeiro, disse que as forças que desafiam o regime de Bashar al-Assad estão a conseguir fazer progressos porque a Rússia está “tão ocupada com a Ucrânia” que é “incapaz de deter esta marcha na Síria, um país que há anos é protegido” por Moscovo.

O republicano aproveitou também para lançar uma farpa ao seu antecessor do primeiro mandato, Barack Obama: “A Rússia nunca obteve grandes vantagens do apoio [ao regime] sírio, além de conseguir dessa forma fazer Obama parecer estúpido”. “Os EUA não devem ter nada a ver com isto. Esta não é a nossa luta. Deixem correr. Não se envolvam”, escreveu.