A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russos Maria Zakharova disse que, num contexto de “crescente confronto” entre Rússia e os Estados Unidos, os cidadãos russos devem evitar viajar para o Ocidente, porque podem ser “perseguidos” pelas autoridades norte-americanas.

Segundo Zakharova, as relações entre Washington e Moscovo “estão próximas de um ponto de ruptura”, responsabilizando o governo norte-americano. Nesse sentido, cidadãos russos devem, durante estas férias, evitar fazer viagens aos EUA e aos seus estados satélite aliados, incluindo, antes de mais, o Canadá e, com algumas exceções, países da União Europeia”. Viagens pessoais aos EUA estão “repletas de sérios riscos”, concluiu.

Durante a mesma conferência de imprensa, noticiada pela Reuters, Zakharova afirmou que a Rússia não vai fazer concessões em futuras negociações com a Ucrânia e que as condições de Putin terão de ser implementadas para atingir a paz. “Se alguém espera que a Rússia faça algum tipo de concessões, aparentemente essas pessoas têm memória curta e um conhecimento insuficiente da questão”, disse.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia está pronto para negociar com a nova administração norte-americana, referiu a porta-voz. Porém, acrescenta que  ainda não recebeu propostas sérias do futuro executivo de Trump que tenham em conta as preocupações de segurança do Kremlin com as populações russófonas na Ucrânia.

Contudo, na passada terça-feira, outro membro do governo russo abriu a porta a um entendimento diplomático para celebrar a posse de Donald Trump, numa entrevista à NBC. A Rússia está “definitivamente preparada para considerar” uma troca de prisioneiros com os Estados Unidos, assim que a nova administração norte-americana tomar posse, em janeiro de 2024, disse Sergei Ryabkov.

Na mesma entrevista em que confirmou oficialmente que Bashar Al-Assad está na Rússia, o secretário de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Kremlin disse que uma potencial troca de prisioneiros poderá marcar “um passo em frente saudável, especialmente no início da próxima administração”.

Em agosto deste ano, EUA, Rússia e Alemanha realizaram uma troca de um total de 26 prisioneiros. Na altura, Trump criticou Joe Biden por aquilo que considerou ser um “mau acordo”. “Os nossos negociadores são sempre uma vergonha para nós”, disse.

Trump critica troca de prisioneiros com Rússia e acusa Biden de fazer “mau acordo”