A tentativa de ataque a agentes da PSP com uma alegada arma branca por parte de Odair Moniz, momentos antes de ser morto a tiro por um deles, não faz parte da prova indiciária que consta do processo conduzido pela procuradora Patrícia Agostinho no DIAP de Lisboa. A informação sobre o inquérito à morte de Odair Moniz, com base na matéria que foi apresentada ao agente que fez os disparos mortais durante o interrogatório a que foi sujeito esta quarta-feira no Ministério Público, é avançada pela CNN Portugal.

A procuradora desmente, assim, a versão oficial da PSP — avançada logo a seguir à morte do homem no bairro da Cova da Moura — segundo a qual Odair terá ameaçado e tentado atacar os agentes com recurso a uma arma branca. Contrariamente, dá como certo que os disparos ocorreram na sequência de uma altercação física sem qualquer recurso a facas por parte da vítima mortal.

Segundo noticiou esta quinta-feira o Expresso, a Polícia Judiciária suspeita da existência de manipulação de provas e adulteração do auto de notícia após a morte de Odair Moniz. Em causa está a informação, supostamente redigida inicialmente pelos dois agentes que perseguiram Odair Moniz, que deu origem ao comunicado da PSP que dava conta de uma tentativa de agressão com arma branca e que justificava a atuação do agente.

PSP insiste que os agentes envolvidos na morte de Odair Moniz terão sido ameaçados com uma arma branca

No dia em que Odair Moniz foi baleado estava com uma bolsa à cintura e, lá dentro, estaria uma arma. Porém, uma fonte judicial revelou ao Expresso que não há qualquer imagem a provar que tirou a faca da bolsa e que, ainda assim, a arma foi encontrada no chão. É exatamente por esta razão que a PJ está a investigar a hipótese de a arma ter sido “plantada” de forma a justificar os dois tiros com que Odair Moniz foi atingido e que levaram à sua morte.

PJ suspeita que arma foi plantada no local onde Odair Moniz foi baleado

A versão que a magistrada defendeu esta quarta-feira, divulgada pela CNN Portugal, coloca em causa o comunicado da PSP após os factos, onde se podia ler que, “quando os polícias procediam à abordagem do suspeito, o mesmo terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca, tendo um dos polícias, esgotados outros meios e esforços, recorrido a arma de fogo e atingido o suspeito”.