A Guarda Nacional Republicana (GNR) garante, em resposta a perguntas do Observador, que não havia qualquer operação de fiscalização de pesca ilegal por elementos desta força de segurança no local onde se deu o acidente no rio Tejo, na tarde de segunda-feira. Alguns pescadores presentes naquela zona do rio disseram, logo no dia do acidente e nos dias seguintes, que o barco de pesca “Bina” estaria a fugir às autoridades e que essa fuga estaria relacionada com o acidente. O embate entre a embarcação de pesca e um catamarã — que está a ser investigado pelo Ministério Público (MP) — fez dois desaparecidos e dois feridos.

“A GNR, através da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF), no dia 6 de janeiro, no período da tarde, não realizou nenhuma operação no Rio Tejo, direcionada para a pesca ilegal”, garante esta força de segurança, numa resposta enviada esta sexta-feira ao Observador. A GNR acrescenta que, na tarde desse dia, “encontrava-se apenas uma embarcação de patrulha no canal do estuário do Lavradio”.

O acidente terá ocorrido por volta das 17h05 (hora a que foi dado o alerta), com um catamarã que fazia a ligação entre o Barreiro e Lisboa, num trajeto que ficará — segundo os dados disponíveis neste momento — a cerca de sete quilómetros do ponto em que a GNR diz que se encontrava o único barco de patrulha, como se pode ver na imagem seguinte com as localizações aproximadas da zona do acidente e da patrulha da Unidade de Controlo Costeiro.

Questionada sobre se os militares presentes no Rio Tejo prestaram apoio à embarcação acidente ou se deram algum alerta para o acidente, a GNR acrescenta que não foi prestado auxílio aos pescadores vítimas do acidente porque, quando os militares “chegaram ao local, já se encontravam meios dos bombeiros sapadores, da Polícia Marítima e da Autoridade Marítima Nacional”. E refere ainda que o alerta também não partiu daquela embarcação porque os militares não terão presenciado o acidente e só terão sido alertados para o mesmo “posteriormente”.

Mestre do catamarã e tripulação recebem apoio psicológico

Ao Observador, no dia da tragédia, vários pescadores presentes no local onde estava montado o centro das operações das autoridades, em Cacilhas, avançaram a hipótese de uma eventual fuga às autoridades como justificação do acidente. O mesmo relato foi feito à TVI, dias mais tarde, por pescadores que participaram nas operações de recolha do barco acidente. Em causa estaria a pesca ilegal de amêijoa por parte dos pescadores a bordo do “Bina”.

As informações oficiais disponibilizadas até ao momento referem que o barco teria cruzado a linha de navegação do catamarã, acabando por provocar o embate entre as duas embarcações.

“Deviam deixar de perseguir quem faz o seu trabalho.” Pescadores admitem que “Bina” podia estar a fugir da polícia

Logo no segundo dia de buscas pelos dois pescadores desaparecidos, o comandante da capitania do porto de Lisboa desmentiu essa versão dos acontecimentos. Ao Observador, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) também garante que não tinha em curso qualquer operação de fiscalização naquela zona. “A Polícia Marítima não se encontrava [no momento da tragédia] a realizar nenhuma perseguição no rio Tejo, bem como nenhuma ação de fiscalização nesse âmbito”, refere a AMN.

Esta quinta-feira, a AMN deu como concluídas as buscas “dedicadas” aos dois pescadores desaparecidos, sendo que as autoridades vão manter a vigilância do local. Os dois feridos – um deles em estado grave – foram transportados para o Hospital Garcia de Orta, sendo que um já teve alta.

Além do inquérito aberto pelo Ministério Público, também foi instaurado um inquérito interno pela Transtejo/Softlusa. Ao Observador, a empresa responsável pelo ‘ferry’ envolvido no acidente informou que o mestre da embarcação ainda não retomou as funções, tendo sido disponibilizado “apoio psicológico a toda a tripulação”.