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Os cinco grandes incêndios que deflagraram em Los Angeles esta semana, e que continuam ativos e por dominar, já fizeram pelo menos onze mortos, cujas identidades ainda não estão confirmadas. O número de vítimas tem subido, à medida que também se sucedem relatos de destruição de bairros inteiros e de famílias que ficaram sem casa e sem todos os seus pertences, dado que os fogos estão a lavrar em zonas muito populosas. Esta sexta-feira foi revelado que duas famílias portuguesas foram “seriamente afetadas” por estes fogos. A informação foi confirmada à RTP pelo Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, e depois comentada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à margem de uma cerimónia de homenagem aos bombeiros falecidos em serviço. “Soube hoje [esta sexta-feira, que duas famílias portuguesas foram afetadas], não tenho muita informação mas já sei que está a ser tratado pelas entidades diplomáticas e consulares. Estava a apurar-se exatamente qual era a situação”, disse aos jornalistas.
O Los Angeles Times conta que em três dias se contam nove mil casas ou edifícios destruídos. Neste momento, há 153 mil pessoas com ordem para abandonarem as suas residências, enquanto outras 166 mil foram avisadas que poderão ter de o fazer. Mais de 57.800 estruturas continuam ameaçadas pelos fogos ativos, informou também o xerife Robert Luna, numa conferência de imprensa às 8h em Los Angeles (16h de Lisboa), esta sexta-feira.
O conjunto dos cinco fogos já lavrou 145 quilómetros quadrados na região de Los Angeles, segundo o New York Times. A título de comparação, o total da superfície do município de Lisboa é aproximadamente de 84 quilómetros quadrados. A maior parte da destruição está a registar-se na zona de Palisades, afetada por um incêndio que já é considerado o mais destrutivo de sempre em território norte-americano. O fogo de Palisades está apenas 8% controlado, de acordo com Kristin M. Crowley, chefe do departamento de bombeiros de Los Angeles. Crowley afirmou esta sexta-feira que, pela primeira vez, os bombeiros conseguiram criar um perímetro à volta de todo o incêndio que deflagrou no início da semana e que já terá ardido 8084 hectares.
Segundo a página do Departamento de Proteção Florestal e Fogos da Califórnia, na manhã desta sexta-feira continua a não haver nenhum foco controlado, embora a situação do fogo na zona de Hurst tenha melhorado — estava 10% controlado e passou para uma percentagem de 37%. O mesmo site indica que o fogo de Eaton, que já queimou 5540 hectares, está ainda zero por cento controlado; Kenneth está a 25% e o foco da zona de Lidia é o mais dominado, estando 75% controlado.
Um recolher obrigatório será imposto entre as 18h e as 6h para as áreas afetadas pelos fogos de Palisades e Eaton, tal como todas as outras áreas de abandono obrigatório. “Não poderão estar nestas áreas afetadas. Se estiverem, serão detidos”, disse Robert Luna, explicando que o objetivo é deixar os habitantes mais confortáveis ao abandonarem as suas casas.
À CNN, o capitão Adan VanGerpen, porta-voz dos bombeiros de Los Angeles, previu que estas percentagens devam melhorar à medida que as condições meteorológicas melhorem também, explicando que neste momento há 2300 bombeiros destacados só para o incêndio de Palisades. Há outros meios a serem enviados para o local, incluindo oito aviões militares C-130, vindos dos estados do Nevada, Wyoming e Colorado.
O diretor de gestão de emergências do condado de Los Angeles Kevin McGowan pediu desculpa à população pelas alertas de evacuação erróneos que foram enviados para os telemóveis pessoais, durante a noite de quinta-feira e a manhã de sexta-feira. As mensagens de emergência foram endereçadas a pessoas que estavam em zonas fora de perigo, promovendo pânico por toda a região. “Imploro a todos para não desativarem as mensagens“, disse McGowan, que admitiu ser para já desconhecida a causa do problema técnico. “Isto é muito frustrante, doloroso e assustador, mas estes alertas salvaram vidas durante esta emergência”, acrescentou.
À medida que vão surgindo notícias de dificuldades a combater os fogos no terreno, os próprios bombeiros queixam-se das condições em que estão a trabalhar. À CNN, esta sexta-feira, o capitão Erik Scott dizia que combater estes incêndios está a ser “extremamente desafiante”, sobretudo quando os bombeiros estão com falta de recursos humanos e de meios para trabalhar.
“Precisamos de mais bombeiros. Temos pessoas a menos e meios a menos”, denunciou. E explicou que, se normalmente o departamento dos bombeiros responde a 1500 emergências e 911 chamadas por dia, neste momento é chamado quatro mil vezes por dia: “Não há paragens”.
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Os incêndios estão a trazer outras consequências: o condado de Los Angeles já veio anunciar, esta sexta-feira, uma série de medidas de segurança mais apertadas para zonas que foram evacuadas e onde estão a acontecer pilhagens — tendo sido feitas já mais de 20 detenções por suspeitas disso mesmo. As autoridades de Los Angeles pediram, de resto, reforços à Guarda Nacional do estado da Califórnia para combater este fenómeno. Uma dessas medidas é o recolher obrigatório. “Não se pode estar nestas zonas afetadas. Se estiverem, podem ser detidos. Estamos a fazer isto para proteger os edifícios e as casas que as pessoas abandonaram porque lhes foi ordenado”, afirmou o xerife do condado de Los Angeles, Robert Luna, numa conferência de imprensa.
Robert Luna informou que o toque de recolher em todas as zonas de evacuação obrigatória começará novamente às 18h00 locais (02h00 de Lisboa) para as casas que ainda se encontram intactas.
O procurador distrital de Los Angeles, Nathan Hochman, ameaçou processar quem pilhar, pilotar ‘drones’ em zonas de incêndio ou violar o recolher obrigatório “em toda a extensão da lei”. “Pilhar é um crime desprezível”, afirmou o procurador.
O comissário de seguros da Califórnia Ricardo Lara disse, também numa conferência esta sexta-feira, que vai impedir que pessoas afetadas pelos incêndios de Palisades e Eaton vejam os seus seguros cancelados ou não renovados por seguradoras.
Aftermath of Pacific Palisades fires shows widespread devastation.
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— AF Post (@AFpost) January 9, 2025
As imagens que vão surgindo nos jornais e nas redes sociais dão uma ideia da dimensão da tragédia, sendo que algumas são reconhecíveis e tiradas em lugares simbólicos. Logo no início dos fogos o LA Times avançava que a Sunset Boulevard, a famosa rua que se estende por quilómetros através de Los Angeles, está “em ruínas”, depois de os incêndios terem devastado a área. Os residentes locais descreveram a destruição total de bancos, cafés e supermercados que frequentavam há décadas.
Drone shot over the Palisades from @KitKarzen pic.twitter.com/S0DO6pdgHe
— Los Angeles Scanner (@LosAngeles_Scan) January 9, 2025
Mesmo nas zonas que não estão a ser diretamente afetadas pelos incêndios, as autoridades avisam que a população corre sérios riscos devido à poluição no ar. Na manhã de sexta feira, 330 mil pessoas continuavam sem eletricidade, no sul da Califórnia, sendo que metade destes habitantes estão a ser sujeitos a cortes intencionais do serviço público regional, para prevenir mais fogos devido aos ventos fortes. As escolas continuam fechadas.
The wind gusts are devastating. Truly a hurricane of fire.
Video: @stuartpalley pic.twitter.com/b2fprFAgTC
— Dr. Lucky Tran (@luckytran) January 9, 2025
Esta sexta-feira, Portugal ofereceu os seus meios para ajudar. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, escreveu na rede social X que Portugal, “com total solidariedade”, já “pôs à disposição dos Estados Unidos os nossos meios humanos e técnicos de combate aos incêndios, na medida que possam ser úteis ao nosso aliado”. E expressou o seu pesar e empatia relativamente à devastação que está a ser provocada por estes incêndios.
Trump lança acusações, Biden promete pagar custos da recuperação
O Presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, tem estado a atacar as autoridades a vários níveis, focando-se em grande parte nas culpas do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, e nas suas políticas de gestão florestal.
Trump veio também alegar que os esforços para a conservação de peixes são responsáveis pela falta de água nas bocas de incêndio em Los Angeles, embora a Associated Press, citada pela Agência Lusa, tenha noticiado que os reservatórios do sul da Califórnia estão em níveis de acima da média para esta altura do ano. Além disso, o Presidente-eleito, que tomará posse a 20 de janeiro, alegou que Biden teria “retirado os fundos” da agência federal para a gestão de emergências, mas a CNN lembra que o congresso norte-americano aprovou em dezembro uma injeção de 29 mil milhões de dólares para a agência, que diz ter fundos suficientes para ajudar a combater estes fogos.
Joe Biden foi entretanto, esta sexta-feira, questionado sobre se acredita que a próxima administração Trump continuará a investir na recuperação da Califórnia — o atual Presidente prometeu pagar a 100% os custos do incêndio, que se prevê que seja o mais caro de sempre — e respondeu que “reza” que sim. Biden decidiu entretanto cancelar uma viagem a Itália que estava prevista para esta semana e que seria a última do seu mandato.
Entretanto, Biden confirmou estar a coordenar as operações de gestão dos incêndios com o seu sucessor. “Eles sabem tudo o que estamos a fazer para responder aos incêndios. A esperança é que pelo menos reconheçam que temos alguma experiência significativa nisto”, afirmou.