O número de mortos nos incêndios de Los Angeles subiu para 24, indicou no domingo o departamento de Medicina Legal do condado. No entanto, segundo a conferência de imprensa organizada esta segunda-feira por várias figuras de poder da cidade, as autoridades esperam que a mortalidade aumente à medida que mantém-se os esforços de busca.
Das 24 vítimas, 16 pessoas morreram no incêndio de Eaton e oito no fogo de Palisades. Um balanço anterior do mesmo departamento dava conta de 16 mortos na sequência dos incêndios florestais a afetar a cidade do sudoeste dos Estados Unidos.
Los Angeles em alerta máximo com regresso previsto de ventos fortes a agravar incêndios em curso
No decurso da conferência de imprensa, o xerife do condado de Los Angeles, Robert Luna, afirmou haver 23 pessoas desaparecidas: 17 em Eaton e 6 em Malibu. Adiantando compreender que as pessoas deslocadas queiram regressar para ver o estado das suas casas, o oficial explicou que as zonas afetadas — como Altadena — ainda não se encontram seguras. “Temos pessoas literalmente à procura dos restos mortais dos vossos vizinhos”, lamentou, caracterizando a procura de despojos humanos quarteirão a quarteirão como uma “tarefa muito penosa”.
“Infelizmente, todos os dias que estamos a fazer isto, estamos a encontrar os restos mortais de membros individuais da comunidade. Não é um trabalho fácil. É muito triste informar… Acredito que vamos continuar a encontrar restos mortais”, anuiu.
Neste ponto de situação, chefe dos bombeiros de Los Angeles, Kristin Crowley, deixou algumas notas positivas, como o facto do incêndio de Eaton — que já ardeu uma área de 57 quilómetros quadrados — encontrar-se em 33% de contenção, não tendo havido um aumento de área ardida. Já o incêndio de Hurst, que ardeu 3,23 quilómetros quadrados, encontra-se em 95% de contenção.
A situação mais preocupante mantém-se com o fogo de Palisades, com apenas 14% de contenção, tendo ardido 96 quilómetros quadrados e merecendo o combate de 5123 efetivos.
Com a previsão do agravamento do estado de tempo — com ventos de 80 a 110 quilómetros por hora previstos para a manhã de terça-feira, motivando os serviços de meteorologia a emitir um aviso vermelho de “situação particularmente perigosa” — Crowley deixou um aviso: “Ainda não estamos a salvo. Não devemos baixar a guarda”.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, enviou no domingo mil elementos da Guarda Nacional do estado norte-americano para a área dos incêndios, elevando para cerca de 2.500 os operacionais que combatem os fogos.
O governador assinou também uma ordem executiva que suspende importantes regulamentos ambientais, para acelerar a reconstrução de casas e edifícios.
O incêndio já queimou mais de 5.700 hectares, destruiu ou danificou pelo menos 12300 estruturas e forçou a retirada de mais de 150.000 pessoas.
As imagens em satélite do antes e depois dos incêndios em Los Angeles
Entretanto, o número de pessoas sob ordem de evacuação baixou para as 93 mil, mas a situação de alerta mantém-se generalizada, com o recolher obrigatório das 18h00 às 6h00 nas zonas de Palisades e Eaton, avisou Luna.
O xerife referiu também que subiu para 34 o número de pessoas detidas, 30 na zona do incêndio de Eaton e quatro na zona do incêndio de Palisades. Na madrugada de domingo para esta segunda-feira, quatro pessoas foram detidas — duas por violarem o recolher obrigatório e outras duas por um incidente com um drone.
A causa dos incêndios ainda é desconhecida, com Luna a reforçar esta segunda-feira que todas as possibilidades estão a ser consideradas.“Estamos a analisar todos os ângulos”, completou Dominic Choi, chefe adjunto da polícia, admitindo que não foi ainda excluída a hipótese de fogo posto.