O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, arranca esta segunda-feira na Suíça, no dia da tomada de posse do novo Presidente norte-americano, Donald Trump, que intervirá no evento na quinta-feira, por videoconferência. Em discussão estarão temas como a Inteligência Artifical, clima, geopolítica e as situações de conflito (no Médio Oriente e Ucrânia). Na lista de participantes constam pelo menos nove portugueses.
Num contexto de fortes tensões à escala global, tanto a nível de conflitos armados como de guerras comerciais, o regresso de Trump à Casa Branca centra todas as atenções, e a sua intervenção no Fórum de Davos, poucos dias após a tomada de posse, é já o momento mais aguardado do evento, que juntará nesta estância suíça, entre esta segunda-feira e sexta-feira (dias 20 a 24), cerca de 60 chefes de Estado e de Governo e 900 líderes de grandes empresas.
Na apresentação da 55.ª edição do evento, que tem como lema “Colaboração para a Era Inteligente”, o novo líder do Fórum Económico Mundial, o norueguês Borge Brende, admitiu que a intervenção de Trump, prevista para a tarde de quinta-feira, “será um momento muito especial, também para se saber mais sobre as prioridades políticas da nova administração”, logo depois de esta assumir funções.
IA é tema principal do fórum (e é discutida pela primeira vez)
Esta edição de 2025 do Fórum, tal como admitiu Borge Brende, desenrola-se “no contexto geopolítico mais complicado” desde há muito tempo. Daí o porquê de a geopolítica ser um dos assuntos em discussão. “Vai ser um bom momento para ouvir mais sobre as políticas da nova administração”, disse Borge Brende, presidente e CEO do Fórum Económico Mundial, citado pelo Eco. “Estamos no meio de duas ordens [económicas] e não sabemos o que a nova ordem vai ser”, contudo, “na primeira Administração [de Trump], o comércio e os negócios cresceram”, lembrou.
Ainda assim, o tema central em cima da mesa será a Inteligência Artificial — pela primeira vez abordado neste forúm. Vão ser exploradas “as oportunidades da AI, mas também [vamos estar] atentos aos riscos” ao nível ético e social, disse o diretor-geral Mirek Dusek em conferência de imprensa na semana passada e citado pelo mesmo jornal. Também o clima vai ser tema de discussão, uma vez mais, já que ainda são poucas as empresas que têm vindo a tomar medidas significativas. Assim, vai ser discutido de que forma as empresas estão a avançar e cumprir a agenda climática e a explorar quais os desafios que dificultam a transição climática.
Haverá ainda espaço para debater a instabilidade política na Síria, a crise humanitária em Gaza e uma potencial escaldada de conflito no Médio Oriente e também a guerra na Ucrânia. Entre a lista de participantes consta, por isso mesmo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky (que intervirá na sessão de terça-feira); o vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o novo ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, Asaad al-Shaibani (na sequência da queda do regime).
Quem são os portugueses na lista de participantes?
Na lista, entre estes 900 líderes, constam nove portugueses, segundo o jornal Eco. São eles: Maria da Graça Carvalho (ministra do Ambiente e da Energia, que será oradora no segundo dia); Paulo Rangel (ministro dos Negócios Estrangeiros, que participará em eventos fechados); Pedro Reis (ministro da Economia) e Miguel Stilwell (presidente executivo da EDP) — que participarão num evento juntos — ; Rui Teixeira (diretor financeiro da EDP); Cláudia Azevedo (CEO da Sonae); Ana Luísa Virgínia (diretora financeira da Jerónimo Martins); Luís Valente (CEO da iLoF) e ainda António Guterres (secretário-geral da ONU).
Entre os 350 responsáveis políticos aguardados em Davos, 60 dos quais chefes de Estado ou de Governo, contam-se ainda o chanceler alemão, Olaf Scholz, o Presidente da Argentina, Javier Milei, o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o Presidente de Israel, Isaac Herzog, assim como vários líderes de organizações, entre os quais os secretários-gerais da ONU, António Guterres, e da NATO, Mark Rutte.
Criado em 1971, o Fórum Económico Mundial reúne todos os anos centenas de participantes, entre empresários, líderes políticos, economistas e representantes da sociedade civil, numa estância de esqui nos Alpes Suíços transformada em centro de conferências internacionais durante uma semana, tendo este ano sido mobilizados 5.000 militares para garantir a segurança em torno do evento, anunciou o Governo suíço.
Atualizada às 9h46