A administração de Donald Trump vai usar a base militar da Baía de Guantánamo para manter os imigrantes sem documentos que as autoridades norte-americanas tentam deportar, divulgou o Presidente norte-americano esta quarta-feira.

O Presidente norte-americano adiantou, esta quarta-feira, que vai ordenar um centro de detenção na da Baía de Guantánamo. “Temos 30 mil camas para deter os piores imigrantes ilegais que ameaçam o povo norte-americano”, afirmou Donald Trump, citado na imprensa internacional.

Donald Trump assinou uma ordem executiva que dá instruções ao Departamento da Defesa e da Segurança Interna para prepararem o centro de detenção na Baía de Guantánamo. “Maior parte das pessoas nem sabia que isso existia”, disse ainda o Presidente dos Estados Unidos.

Em declarações à Fox News questionada sobre se a base naval localizada em Cuba era uma opção para enviar imigrantes detidos pelos agentes da força de imigração e alfândegas (ICE, em inglês), a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, já tinha dito que estavam a ser avaliadas várias opções, especialmente em relação a cidadãos de países que não aceitam deportações, como a Venezuela e Cuba.

“Estamos a avaliar e a discutir o assunto neste momento. É uma decisão do Presidente, mas é um recurso e vamos continuar a explorar como podemos usar todos os nossos recursos para manter os Estados Unidos seguros”, respondeu na altura.

O campo de detenção na base da Baía de Guantánamo foi inaugurado em 2002 pelo então presidente George W. Bush (2001-2009) para deter os acusados no âmbito da “guerra global contra o terrorismo”, na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque. Neste momento, estão 15 detidos.

A agência noticiosa EFE indicou que apesar de os imigrantes estarem detidos numa área separada, encontram-se num limbo jurídico dentro de uma base militar que funciona à margem das leis de migratórias dos EUA. A situação tem sido historicamente opaca, com pouca informação pública sobre o que ocorre nas instalações da base.

Uma reportagem de setembro de 2024 do jornal The New York Times, baseada em relatórios internos do governo, revelou que os detidos enfrentam más condições, incluindo monitorização de chamadas telefónicas com advogados e infestação de ratos em alguns locais.