A Reserva Federal decidiu nesta quarta-feira manter as taxas de juro inalteradas na primeira reunião da nova “era” de Trump como Presidente dos EUA. O banco central liderado por Jay Powell vinha de uma sequência de vários cortes consecutivos mas, como os analistas previam, optou por uma “pausa” nesta primeira reunião do ano e diz que “não há necessidade de ter pressa” na redução dos juros.
Na reação à decisão, os mercados acionistas assumiram uma tendência mais negativa, o que está a ser atribuído ao facto de ter desaparecido do comunicado da Fed a ideia de que a inflação está a “fazer progressos” em relação ao objetivo (algo que vinha sendo dito nos últimos comunicados e agora não aparece). Na conferência de imprensa, o presidente da Fed garantiu que a retirada dessa frase não teve a intenção de dar um sinal aos mercados de que a Fed está a ver a inflação a subir – foi apenas uma mudança para simplificar a mensagem dada pelo banco central.
O índice S&P 500 recuperou após esta clarificação mas chegou a cair 0,6%, com os mercados a anteciparem uma menor probabilidade de que haja sequer dois cortes das taxas de juro neste ano. No final do ano passado, os analistas acreditavam que a Fed poderia cortar as taxas de juro entre quatro e cinco vezes em 2025, essa expectativa baixou para duas vezes após a última reunião e, nesta fase, a expectativa nos mercados financeiros aponta para um corte apenas, em junho.
Apesar da pressão feita por Donald Trump para que a Reserva Federal dos EUA baixe as taxas de juro, o que poderia impulsionar a atividade económica, o banco central sublinha que a inflação continua “um pouco elevada” e, por outro lado, o mercado de trabalho está numa situação “robusta”, o que recomenda uma taxa de juro que, neste momento, está num intervalo entre 4,25% e 4,5%.
A decisão de manter as taxas de juro inalteradas está relacionada com a “incerteza” no panorama económico, indica a Fed, no que pode ser uma referência ao risco de a nova administração Trump fazer aumentos significativos nas taxas alfandegárias (tarifas) que podem afetar os preços e a taxa de inflação.
Jay Powell afirmou, na conferência de imprensa, que não teve ainda qualquer conversa sobre a política monetária com o novo Presidente dos EUA (que o nomeou, durante o primeiro mandato na Casa Branca).