A possibilidade de o líder norte-americano Donald Trump comprar (e até ter admitido usar meios militares) a Gronelândia, pertencente à Dinamarca, está a fazer soar os alarmes na União Europeia (UE). Perante essa possibilidade, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, deixou, esta quarta-feira, um aviso sobre o assunto. “A integridade territorial da Dinamarca, a soberania da Dinamarca, a estabilidade das suas fronteiras, como deve imaginar, obviamente é para nós uma questão essencial para nós“, sublinhou o dirigente comunitário, numa entrevista à Euronews.

António Costa recordou que a Gronelândia “faz parte do território do Reino da Dinamarca” e que a “Dinamarca é um Estado soberano”. “A Dinamarca define quais são os seus interesses e a União Europeia apoiará a Dinamarca”, frisou o presidente do Conselho Europeu.

Diante das ameaças de Donald Trump, António Costa não quis “estar a especular”, desejando que esta questão “não se transforme” num “conflito”. Caso aconteça, o presidente do Conselho Europeu espera que seja resolvido “de forma amigável”, como, aliás, é “próprio que aconteça entre aliados”.

Mesmo que a ameaça paire apenas no ar, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, fez esta terça-feira um périplo pela Europa. Encontrou-se com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, em Bruxelas, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, e com o chanceler alemão, Olaf Scholz, em Berlim. Em todas estas reuniões, a chefe do executivo nórdico assegurou que recebeu um grande apoio dos parceiros europeus.

“A Dinamarca é um país pequeno com alianças fortes. E é parte de uma comunidade europeia forte, em que todos juntos podemos lidar com os desafios com que lidamos”, afirmou Mette Frederiksen, lembrando que a Europa já enfrentou “grandes desafios no passado”. “A cooperação europeia provocou que é capaz de lidar com um número de crises nos anos recentes.”

O sinal mais forte veio de França. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, admitiu enviar tropas francesas para a Gronelândia, caso a Dinamarca o peça. “As fronteiras da Europa são soberanas e não não negociáveis”, garantiu Jean-Noël Barrot.

“Começámos a falar sobre o assunto com a Dinamarca, que está disposta a pensar no assunto se os nossos interesses de segurança estiverem em causa”, assegurou o chefe da diplomacia francesa, acrescentando que “se a Dinamarca pedir a solidariedade dos Estados-membros da UE, a França estará lá”.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, também realçou que a “inviolabilidade das fronteiras” é uma “princípio fundamental do Direito internacional”. “A Rússia quebrou esse princípio com a invasão da Ucrânia, o que colocou um fim à paz na Europa”, lembrou o líder germânico, vincando: “Esse princípio deve aplicar-se a todos. As fronteiras não devem ser movidas pela força”.

Recentemente foi noticiado que Donald Trump, teve uma “conversa acalorada” com a primeira-ministra dinamarquesa. De acordo com o Financial Times, a conversa telefónica de 45 minutos “correu muito mal”. O líder norte-americano respondeu “de forma agressiva e confrontante” aos comentários da chefe do executivo, depois de esta ter sublinhado que a ilha, uma parte autónoma da Dinamarca, “não está à venda”.