O ex-líder da IL não está alinhado com o atual na avaliação que faz do Governo. João Cotrim Figueiredo, em entrevista à Rádio Observador no congresso dos liberais, disse mesmo a dizer que as críticas dirigidas a Luís Montenegro de que a governação “não está a funcionar” — feitas por Rui Rocha no púlpito — “podem ser excessivas”. O ex-presidente da IL disse ainda que “pessoalmente não teria metido Montenegro e Pedro Nuno Santos e Costa no mesmo barco, porque para mim há uma diferença grande entre oito meses e oito anos.”
João Cotrim Figueiredo admite que as palavras de Rui Rocha tenham sido mais “para efeito retórico do que analítico”, mas acrescenta que isso já “vai do gosto pessoal de cada um”. E também não mostra particular entusiasmo com o atual líder, embora o defesa. Sobre se não se arrepende de o ter escolhido para sucessor, opta por dizer que é melhor do era Carla Castro: “As escolhas são sempre feitas de quem está em liça e não me arrependo absolutamente nada tendo em conta quem estava em contenda.”
O eurodeputado diz também estar “preocupado” por continuar a ser o maior ativo eleitoral da IL, ainda por cima porque não tem procurado a “manter níveis de notoriedade altos”. E acrescenta que o faz de forma “propositada” para não ser visto como “sombra” e permitir a afirmação de Rui Rocha. “O partido ainda está demasiado dependente da minha notoriedade”, lamenta.
Cotrim lembra que “ainda há uns dias uma sondagem dava Rui Rocha como o líder partidário menos conhecido. Ainda há um caminho para conhecer as caras, quanto mais as ideias”.
Presidenciais. “Quis-me manter longe, não fosse sair de lá candidato”.
Sobre Presidenciais, João Cotrim Figueiredo concorda com Bernardo Blanco na ideia de que “Rodrigo Saraiva e Mariana Leitão são bons candidatos presidenciais”. O antigo líder recusa-se a escolher entre os dois, já que é “conhece bem os dois e têm ambos capacidades políticas”.
Apela que se espere o anúncio de Rui Rocha: “Como fui apontado, fiz questão de não saber. Quis-me manter-me longe, não fosse sair de lá candidato”. Relativamente a uma segunda volta, questionado sobre se preferia Gouveia e Melo ou André Ventura, Cotrim é claro: “Tinha de fazer como o Cunhal: tapar a cara e votar no almirante”.
Cotrim defende IL em coligação liderada por Moedas
Sobre a hipótese de a IL ir em coligação numa lista com Carlos Moedas, Cotrim Figueiredo diz que concorda com a “política geral” do partido em “listas próprias” e que “as exceções partem dos núcleos locais”. E avisa que “as exceções têm de ser muito bem justificadas”.
Ainda assim, considera que, de onde está, Lisboa parece uma “boa exceção”, tendo em conta que há o “risco que parece real, de haver uma grande coligação à esquerda”. “Não gostaria de ver a IL ser responsável por uma maioria de esquerda que má memória nos deixou na última vez que lá estiveram”.