André Ventura teceu fortes críticas à candidatura de Luís Marques Mendes à Presidência da República, que vai ser formalmente apresentada a 6 de fevereiro, em Fafe.

Em declarações feitas esta segunda-feira, o líder do Chega argumenta que a candidatura de Marques Mendes “representa tudo o que há de mau na política, a cedência ao lobismo, a cedência aos interesses de bastidores e corredores, a cedência àquilo que é a podridão do sistema partidário que há 50 anos domina Portugal”.

Marques Mendes apresenta candidatura às presidenciais na quinta-feira em Fafe

Ventura considera que a candidatura do antigo líder do PSD “reforçou ainda mais a ideia fundamental de uma candidatura alternativa à direitas nestas Presidenciais”, que estão marcadas para 2026.

O presidente do Chega, que também vai ser candidato às Presidenciais, criticou ainda o facto de Marques Mendes “nunca ter ido a votos” e acusou-o de ter feito “um acordo com o agora primeiro-ministro para que ambos retirassem ajuda mútua” do “aproveitamento político mediático do espaço de comentário semanal”. Luís Marques Mendes despediu-se este domingo do comentário aos domingos na SIC, falando na “ambição, estabilidade e ética” que vão reger a campanha.

Lema tríptico, elogios aos seus e avisos ao almirante. Mendes, “médico experiente” para um país doente, iniciou campanha em horário nobre

Ventura critica também o apoio de Luís Montenegro a Luís Marques Mendes, que declarou esta segunda que o político “preenche em absoluto os requisitos” para Belém. “O que Luís Montenegro fez foi aproveitar a visibilidade de Luís Marques Mendes para, durante meses, lhe fazer campanha política na televisão enquanto lhe prometia o apoio, mesmo sabendo que candidatura não teria grandes hipóteses de sucesso.” Atira ainda que a candidatura de Marques Mendes era a solução “para evitar” outras candidaturas, como a “Pedro Passos Coelho à Presidência da República”.

Luís Montenegro insiste que Marques Mendes “preenche em absoluto os requisitos” para Presidente da República

“Esta parece ser a nova estratégia do Governo: comprar comentadores, prometer-lhes lugares e apoio político”, acrescentou, usando como exemplo a participação de Sebastião Bugalho, ex-comentador e agora eurodeputado eleito pelo PSD.

Sebastião Bugalho é o novo “porta-voz” dos eurodeputados do PSD

“A candidatura de Marques Mendes com o apoio evidente do PSD mostra como as Presidenciais se tornaram importantes. Isto reforçou a minha ideia inicial e o meu objetivo fundamental: nenhum destes candidatos, mesmo este que se diz de centro direita e que tem a ambição de representar a direita podem alguma vez representar um eleitorado contra a imigração ilegal, contra a corrupção e a favor do controlo da nossa segurança coletiva”, dedendeu.

O líder do Chega atacou também o percurso de Marques Mendes, referindo que representa “o contrário do que é preciso à direita”. “Esteve em permanente conluio com o Partido Socialista durante os anos de governação de António Costa, esteve em permanente conluio com os interesses obscuros do país durante o tempo da Covid-19 e da luta contra a pandemia.”

André Ventura anuncia candidatura à Presidência da República

Ventura vê a “existência de duas candidaturas à direita” — a sua e a de Marques Mendes — como um facto que deixa o eleitorado “do centro-direita e da direita com uma decisão óbvia para fazer nos próximos meses: a decisão de se querem uma candidatura que corta com o sistema ou de algo que seja a muleta do sistema”.