Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre o conflito no Médio Oriente
Donald Trump disse, após a conversa com Benjamin Netanyahu, que os EUA vão “assumir o controlo da Faixa de Gaza”. “Vamos ser os seus donos e vamos fazer um bom trabalho com ela”, afirmou, acrescentando que as autoridades norte-americanas se vão responsabilizar pelas bombas por explodir e pelas armas que ainda estão na região.
Questionado sobre se poderão ser enviadas tropas dos EUA para essa ação em Gaza, Trump disse que fará “o que for necessário”. “Vamos tomar conta [de Gaza] e reconstruir”, atirou. “Vamos nivelar o sítio e livrar-nos dos edifícios destruídos” e, dessa forma, “criar desenvolvimento económico para fornecer vários postos de trabalho e habitação para as pessoas da área”.
Donald Trump, que garantiu que “se fosse Presidente o [ataque] 7 de Outubro nunca tinha acontecido”, revelou ainda que foi discutida “a forma como o Hamas pode ser eliminado”. Acrescentou que a população de Gaza — região “que tem sido símbolo de morte e destruição por muitas décadas” — deve partir para outros países com “corações humanitários”. Para acabar com “a má sorte” do enclave, o Presidente dos EUA propõe que os 1,8 milhões de palestinianos que ali vivem sejam transferidos para o estrangeiro, sugerindo que há várias maneiras que uma solução pode ser alcançada.
Sobre Benjamin Netanyahu, questionado relativamente a uma relação de altos e baixos, Trump referiu que a relação de ambos é “sobretudo de altos”. O primeiro-ministro israelita considera Trump “o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca”, elogiando o facto de o Presidente dos EUA ter “continuado exatamente onde parou” quando deixou o cargo. “A sua liderança trouxe reféns para casa”, garantiu.
Questionado também sobre se apoiaria a anexação da Cisjordânia por Israel, o Presidente dos EUA revelou que provavelmente “fará um anúncio” sobre o assunto nas próximas quatro semanas, assegurando que ainda não foi tomada uma decisão sobre isso.
O líder da Casa Branca anunciou ainda que planeia visitar Gaza, Israel e Arábia Saudita durante uma viagem ao Oriente Médio, mas não se comprometeu com nenhuma data em concreto. Trump elogiou também o trabalho do seu enviado especial ao Médio Oriente, Steve Witkoff que começou o seu trabalho na região ainda antes da sua tomada de posse.
“Não se pode viver em Gaza neste momento. Acho que precisamos de outro local”
O Presidente Donald Trump sugeriu, no início da reunião com o primeiro-ministro israelita, que os palestinianos deslocados em Gaza sejam reinstalados “permanentemente” fora do território devastado pela guerra. “Não acho que as pessoas devam regressar”, disse Trump, citado pela agência Associated Press (AP). “Não se pode viver em Gaza neste momento. Acho que precisamos de outro local. Penso que deve ser um local que faça as pessoas felizes”, acrescentou.
Estes comentários foram feitos enquanto o Presidente norte-americano e seus conselheiros principais argumentavam que um cronograma de três a cinco anos para a reconstrução do território devastado pela guerra, conforme estabelecido no acordo de trégua temporário, não é viável.
“Se olharmos para as décadas passadas, só há mortes em Gaza”, acrescentou Trump. “Isto está a acontecer há anos. É tudo morte. Se conseguirmos uma área bonita para reinstalar as pessoas, permanentemente, em casas bonitas onde possam ser felizes e não sejam baleadas e não sejam mortas e não sejam esfaqueadas até à morte como está a acontecer em Gaza”.
Já o primeiro-ministro israelita reconheceu o envolvimento do Presidente dos Estados Unidos no cessar-fogo em Gaza, alcançado em 19 de janeiro, e espera que a sua ajuda contribua para fazer avançar a segunda fase das negociações.
“Quando Israel e os Estados Unidos trabalham em conjunto, e o Presidente Trump e eu trabalhamos juntos, as hipóteses aumentam muito. Quando não trabalhamos juntos, isso cria problemas”, afirmou Benjamin Netanyahu, no início da reunião, citado pela agência espanhola EFE.