A gestão da Unbabel e os restantes 20 trabalhadores da operação em Portugal integrados no despedimento coletivo chegaram a acordo esta semana, disse à Lusa um membro da Comissão de Trabalhadores da tecnológica. “Foi um processo complicado, mas chegámos a um acordo mais interessante face à proposta inicial da empresa” que previa o mínimo estipulado por lei, revelou a mesma fonte.
A tecnológica, que atua na área da tradução automática através da inteligência artificial, tinha avançado no início do ano com um processo de reestruturação que vai resultar na saída de 66 pessoas a nível global, o que equivale a cerca de 25% do total. Esta reestruturação, que é a segunda em menos de cinco anos, foi inicialmente avançada pelo Observador.
Unbabel reduz equipa. Tecnológica portuguesa fala “processo de reestruturação” em curso
Em Portugal, foram abrangidos 35 trabalhadores no processo de despedimento coletivo, sendo que 12 tinham chegado a acordo com a empresa no mês passado. As restantes 20 pessoas, que recorreram à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) no âmbito deste processo, chegaram a acordo esta semana.
Após três reuniões, a gestão da empresa apresentou novos cálculos para as indemnizações que preveem o pagamento de 30 dias por ano de serviço para os quadros mais recentes e de 35 dias para os mais antigos, detalhou a Comissão de Trabalhadores. A proposta garante ainda o acesso ao fundo de desemprego, assegurou a mesma fonte.
Questionado pela Lusa sobre os motivos do despedimento em curso, o fundador e presidente executivo da Unbabel, Vasco Pedro, defendeu que “o mercado tecnológico está em rápida mudança”, com uma adoção cada vez maior da IA na tradução. “Neste seguimento, a Unbabel tem em curso um processo de reestruturação, que visa adaptar a empresa à evolução do mercado e prepará-la para futuras oportunidades de investimento em P&D [Pesquisa e Desenvolvimento] e crescimento”, explicou o responsável.
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Além de Portugal, a tecnológica está presente nos Estados Unidos, Reino Unido, Roménia, Filipinas, Alemanha, Bulgária e Israel. “Estamos conscientes do impacto desta decisão nos nossos colaboradores e, por isso, estamos totalmente comprometidos em apoiar cada um deles ao longo deste processo, garantindo as melhores condições e oferecendo recursos que facilitem a sua transição profissional”, acrescentou o responsável da empresa criada em 2013.
Em 2020, a Unbabel tinha anunciado o despedimento de 35% dos 250 trabalhadores devido ao impacto da Covid-19 mas voltou a reforçar os quadros da empresa em 2021. Desde então, a empresa tem recebido apoios europeus, através de projetos inseridos no Portugal 2020 ou no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Unbabel vai despedir 35% dos funcionários. São mais de 80 pessoas