Não havia muito por onde escolher, o próprio Bruno Lage assumira que conhecia bem o Liverpool dos jogos da Premier League. No entanto, o sorteio deu mesmo novo reencontro. O Benfica já tinha ganho ao Mónaco na primeira fase da Liga dos Campeões e voltou a bater os franceses no playoff, agora segue-se o Barcelona para uma tentativa de “vingança” da derrota na Luz no último lance da partida que impediu que a equipa encarnada ainda pudesse entrar na última ronda a depender de si para chegar de forma direta aos oitavos.

Era o líder da Premier League ou o líder da La Liga: Benfica reencontra Barcelona nos oitavos da Champions

No plano histórico, as contas tendem a cair para os espanhóis. Depois da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961, decidida a favor do conjunto da Luz por 3-2 com golos de José Águas, Antoni Ramallets (própria baliza) e Mário Coluna, seguiram-se seis vitórias e dois empates para os catalães, que apenas voltaram a perder na fase de grupos de 2021/22 em Lisboa (3-0, com bis de Darwin Núñez). No entanto, o contexto em que estará inserida a eliminatória em termos de competição também pode ajudar.

São os loucos de Lisboa que nos fazem duvidar (a crónica do Benfica-Barcelona)

No caso do Benfica, e depois das receções a Boavista (Primeira Liga) e Sp. Braga (Taça de Portugal), é muito provável que o encontro que antecede a primeira mão frente ao Gil Vicente possa ser adiado para o final do mês, dando outro espaço de recuperação à equipa comandada por Bruno Lage. Ao invés, o Barcelona de Hansi Flick tem não só um calendário carregado mas decisivo, com a primeira mão das meias da Taça do Rei no dia 25, a receção à Real Sociedad para a Liga a 1 de março, outro encontro em casa na Liga pelo meio com o Osasuna no dia 9 e uma jornada muito importante a seguir à segunda mão com o Atl. Madrid.

Um resultado nunca visto na Champions, cinco golos na Luz 30 anos depois e confusão no túnel com Raphinha: o filme de uma noite inexplicável

Principal arma? Vangelis Pavlidis. Até ao encontro de loucos com o Barcelona, numa derrota amarga por 5-4 no último lance onde fez um hat-trick, o avançado grego contratado este verão ao AZ levava “apenas” sete golos e cinco assistências em 29 encontros oficiais, a grande maioria dos quais como titular. A partir daí, tudo mudou: três golos aos catalães, quatro jogos consecutivos a marcar na Liga dos Campeões, nove golos e três assistências em oito partidas e uma imagem completamente diferente que o coloca na história. Foi isso que permitiu que o helénico se tornasse o primeiro de sempre a marcar sete golos numa só edição da Liga dos Campeões no atual formato, entrando também no top 5 dos artilheiros do clube na prova desde 1992.

Pavlidis, sete golos e um lugar na história: grego torna-se o melhor marcador do Benfica numa época na Champions

“O primeiro encontro foi um jogo de grande qualidade, intenso, em que o Benfica perdeu de forma injusta. Este será num contexto diferente, uma vez que será a duas mãos, mas a qualidade e a dificuldade serão iguais. Memórias de jogos com o Barcelona? Apesar de termos sido eliminados, tenho boas memórias. Foram dois grandes jogos, empatámos em casa a zero lá estávamos a perder por 1-0, tive oportunidade para igualar mas não consegui fazer o golo. Mas foram grandes encontros, em que defendemos ao máximo o nosso clube e é isso que esperamos nesta fase: que o nosso Benfica consiga fazer dois grandes jogos para continuarmos a sonhar. Porque é possível, temos uma equipa que está preparada para este duelo”, referiu após o sorteio Simão Sabrosa, antigo jogador dos encarnados e dos catalães, em declarações à BTV.

“Temos mais um reencontro, nos oitavos da Liga dos Campeões. Foi um grande duelo aquele que vivemos com o Barcelona, infelizmente acabou com um resultado não favorável. Mas a equipa soube dar uma boa resposta. É isso que vamos tentar fazer, queremos dar uma boa resposta. Temos de ter ambição para seguir em frente na prova”, comentou Bruno Lage, na conferência antes do jogo com o Boavista.

O BI do adversário do Benfica no playoff da Champions

  • Fundação: 29 de novembro de 1899 (125 anos)
  • Alcunha: Blaugranas ou culés
  • Estádio: Olímpico de Montjuïc, pela remodelação de Camp Nou (55.926 espectadores)
  • Presidente: Joan Laporta
  • Treinador: Hansi Flick (alemão)
  • Capitão: Marc-André Ter Stegen
  • Estrela: Robert Lewandowski
  • Principal contratação: Dani Olmo (RB Leipzig, 55 milhões)
  • Equipa base (4x3x3): Szczesny; Koundé, Ronald Araújo, Pau Cubarsí, Álex Baldé; Frenkie de Jong, Marc Casadó, Pedri; Lamine Yamal, Raphinha e Robert Lewandowski
  • Prestação na primeira fase da Champions: 2.º lugar, 6 vitórias, 1 empate e 1 derrotas (28-13 golos)
  • Ligação a Portugal. Neste caso em específico, são muitos os pontos de contacto entre Benfica e – e basta recordar que Simão Sabrosa, antigo internacional que é hoje responsável pelas relações internacionais dos encarnados, jogou nos dois conjuntos. Olhando para o atual plantel, Raphinha é aquele que tem mais contacto com a realidade nacional, depois das passagens por V. Guimarães e Sporting antes de rumar ao Rennes, experimentar a Premier via Leeds e aterrar na Catalunha.

Como foi a prestação do Barcelona na primeira fase da Champions

  • Mónaco (D), 1-2 fora
  • Young Boys (V), 5-0 em casa
  • Bayern (V), 4-1 em casa
  • Estrela Vermelha (V), 5-2 fora
  • Brest (V), 3-0 em casa
  • B. Dortmund (V), 3-2 fora
  • Benfica (V), 5-4 fora
  • Atalanta (E), 2-2 em casa

Como foi a prestação do Benfica na primeira fase e no playoff da Champions

  • Estrela Vermelha (V), 2-1 fora
  • Atl. Madrid (V), 4-0 em casa
  • Feyenoord (D), 1-3 em casa
  • Bayern (D), 0-1 fora
  • Mónaco (V), 3-2 fora
  • Bolonha (E), 0-0 em casa
  • Barcelona (D), 4-5 em casa
  • Juventus (V), 2-0 fora
  • Mónaco (V), 1-0 fora
  • Mónaco (E), 3-3 em casa