Pode a verdade ser algo mau ou “condenável”? Em condições normais nunca, em momentos limite talvez. É sobre isso que Nick Williams escreve no The Athletic a propósito de Ruben Amorim e da atual situação que o Manchester United enfrenta, dando vários exemplos de como o técnico foi sempre honesto nas intervenções que teve com a imprensa desde que chegou a Inglaterra mas fazendo a ressalva de que no atual contexto, e por paradoxal que possa parecer, essa abordagem acaba por ser mais uma contrariedade para o rumo que está a tentar traçar. Porquê este tema? Pelas declarações que o treinador teve após a eliminação na Taça.

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Olhando para todo o encontro à luz de 120 minutos que podiam ter caído para qualquer lado no desempate por grandes penalidades, a evolução dos red devils nem sempre esteve patente em campo mas também não se pode falar de uma regressão. Houve pontos negativos, como a forma como a equipa voltou a sofrer de bola parada e no pior momento (descontos da primeira parte) ou a maneira como entrou em campo depois do intervalo, mas o United foi mais equipa, criou algumas oportunidades antes de sofrer, podia ter conseguido a reviravolta antes do tempo extra e por pouco não lançou para a ribalta Chido Obi-Martin, jovem avançado de 17 anos que foi chamado a mais um jogo com oito lesionados e um castigado e quase marcou.

Apesar de tudo, contam no final os resultados e, enquanto o Fulham de Marco Silva avançou para os quartos da Taça de Inglaterra (onde vai defrontar o Crystal Palace), o Manchester United perdeu mais um objetivo ainda existente na presente temporada. No início de março, o conjunto de Old Trafford pode apenas tentar acabar o mais acima possível na Premier e apostar tudo na Liga Europa, onde defronta a Real Sociedad nos oitavos. Neste cenário, Ruben Amorim voltou a ser honesto e a dizer o que pensava – e foi visado por isso.

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“Se sou hoje um treinador melhor? É difícil dizer, não estou a ganhar jogos, por isso não sinto que sou um treinador melhor. Mas acredito que sou um treinador mais completo porque às vezes é preciso perder e estar numa má situação, para crescer. Senti isso aqui. Não vou morrer se perder três jogos consecutivos, é algo que aprendi aqui. Estou a aprender muito sobre mim mesmo e sobre os jogadores. Mas claro que prefiro ganhar jogos”, tinha dito antes do jogo da Taça diante dos londrinos, a propósito dos três meses no clube.

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“Conseguimos marcar na segunda parte depois daquele golo perto do intervalo. É difícil para nós pressionar um pouco mais alto mas conseguimos fazê-lo e marcámos. Tivemos as melhores chances do jogo. No final, os penáltis podem ir para os dois lados e não foram para nós. É importante dizer que com as substituições tivemos uma chance para ganhar o jogo. Creio que fomos melhores na primeira bola do que na segunda. E creio que, depois, tem a ver com a qualidade dos jogadores às vezes. O Bruno, o Casemiro e o Josh [Zirkzee] estão a evoluir imenso. Futuro? O objetivo é ganhar a Premier. Sei que estamos a perder jogos mas o objetivo é ganhar a Premier League de novo. Não sei quanto tempo vai demorar… Temos um objetivo e vamos avançar, aconteça o que acontecer. É impossível saber mas conseguimos perceber que os jogadores estão melhores e a entender melhor a Liga. Veremos no futuro”, referiu à BBC depois da eliminação.

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As críticas de antigas figuras dos red devils voltaram, desta vez tendo como principal protagonista o antigo avançado Wayne Rooney, um dos melhores marcadores de sempre no clube que não só criticou os avançados Zirkzee e Höjlund como visou Ruben Amorim. “Punha lá o Danny Welbeck, é ótimo jogar ao lado dele. Para ser sincero, preferir vê-lo aqui, a jogar no Manchester United. Marcou golos ao longo de toda a sua carreira. Teve lesões no início mas parece ter ultrapassado isso e está a fazer uma época fantástica. Amorim? “Acho que lhe darão tempo. Não é algo certo, porque esperávamos mais do que aquilo que vimos desde que ele chegou. É muito difícil chegar durante a época e não ter pré-temporada mas ele tem de olhar para o futuro e seguir em frente. Fala em ganhar a Premier mas como é que vão competir? Subir na tabela deve ser o próximo passo. Os treinadores não têm tido esse tempo nos últimos dez a 15 anos. Tens de ser egoísta e dizer ‘Se não conseguir fazer isto agora, talvez não tenha esse tempo’. Mas acho que ele foi um pouco ingénuo ao dizer que querem ganhar a Premier, porque olhando ao lugar atual, estão longe disso”, apontou.

A resposta de Ruben Amorim, que já antes defendera Bruno Fernandes dos ataques de Roy Keane, não demorou. “É muito fácil falar. Eu fui comentador no fim da minha carreira [como jogador]. O nosso objetivo como clube é ganhar a Premier League, como fizemos no passado. Não sou ingénuo, por isso é que estou aqui, com 40 anos, a treinar o Manchester United”, destacou o técnico dos red devils.

“Direção? Senti que eram honestos mas preciso de ver e sentir as coisas. Conhecia a situação, sabia que era um risco mas sobrevivemos e damos o nosso melhor. Acho que é muito difícil neste momento mas vai ajudar-nos no futuro, espero. Estão a fazer mudanças difíceis, que não são populares, mas porque têm uma visão. No futuro temos de mostrar resultados porque podemos fazer muitas mudanças mas se não tivermos resultados as pessoas não têm confiança e não ficam contentes. Para isso, é preciso ganhar jogos. Estamos a fazer coisas para sermos bem sucedidos no futuro”, tinha salientado Ruben Amorim sobre o momento do clube.