Um navio-petroleiro norte-americano e um cargueiro, um porta-contentores que está registado em Portugal, colidiram esta segunda-feira no Mar do Norte. De acordo com informações obtidas pelas autoridades portuárias britânicas esta terça-feira, o incêndio provocado pela colisão ainda continua ativo.
Entretanto, o tripulante que desapareceu foi dado como morto, anunciou o secretário de Transporte Marítimo britânico. “A nossa hipótese de trabalho é que, infelizmente, o marinheiro está morto“, informou Mike Kane, em declarações a deputados britânicos esta terça-feira.
O membro do governo britânico, citado pela SkyNews, avançou ainda que o Solong, o cargueiro registado em Portugal, está à tona até agora, No entanto, as avaliações da Guarda Costeira são de que “é improvável que o navio permaneça a flutuar“. Ou seja, tudo indica que acabe por afundar nas próximas horas.
De acordo com a BBC, a colisão ocorreu ao largo da costa de East Yorkshire, no nordeste de Inglaterra. Uma pessoa estava desaparecida e entretanto foi dada como morta e as restantes 36 a bordo dos navios foram transportadas para terra, com uma hospitalizada e sem informações sobre a gravidade do caso. A Greenpeace afirma ser ainda cedo para avaliar os danos ambientais do acidente.
O navio-tanque “Stena Immaculate”, fretado pelo Exército norte-americano, estava ancorado a cerca de 16 quilómetros da cidade de Hull, Yorkshire, na costa leste do Reino Unido, quando foi atingido pelo navio porta-contentores “Solong”, com pavilhão de Portugal.
A página Vessel Finder, especializada em dar informações sobre navios, indica que o cargueiro é o “MV Solong”, que está registado em Portugal, mais especificamente na Madeira, e que seguia em direção aos Países Baixos. O navio é propriedade de uma empresa Alemã, a Schiffahrtsgesellschaft mbH & Co.
De acordo com a guarda costeira, citada pela BBC, um dos 14 membros da tripulação do Solong estava desaparecido e as buscas terminaram nesta noite de segunda-feira. “Depois de uma extensa busca pelo membro da tripulação desaparecido, infelizmente ele não foi encontrado e a busca terminou”, avançou o comandante Matthew Atkinson, que confirmou que os restantes 36 tripulantes foram levados em segurança para terra e apenas uma pessoa foi hospitalizada.
A BBC tinha avançado que o navio-petroleiro, chamado “Stena Immaculate”, estava em chamas. Entretanto, a Royal National Lifeboat Institution (RNLI) avançou que várias pessoas terão abandonado as embarcações e que existem relatos de incêndios em ambos os navios. A informação já foi confirmada por um porta-voz da guarda costeira ao Telegraph, informando que a colisão resultou em “incêndios a bordo” tanto do cargueiro como do petroleiro. Pelas 22h00 desta segunda-feira, o fogo ainda estava ativo.
BREAKING:
Search & Rescue helicopters attending Oil tanker MV Stena Immaculate on fire after being struck by container ship MV Solong while at anchor off the Humber Estuary this morning.
(Library photos. Tanker: @Gibdan1 )
H/T @NAVSkandalen pic.twitter.com/i95OlpW5IN
— Navy Lookout (@NavyLookout) March 10, 2025
Erik Hanell, presidente-executivo da Stena Bulk, coproprietária do Stena Immaculate, confirmou que toda a tripulação do petroleiro MV Stena Immaculate foi localizada e está segura, mais de 20 pessoas. Por sua vez, a empresa norte-americana Crowley, a outra proprietária, avançou que o navio transportava combustível de avião quando foi atingido pelo cargueiro.
De acordo com o relatório da Lloyd’s List Intelligence, o porta-contentores registado em Portugal transportava 15 contentores de cianeto de sódio, entre outras cargas, avançou a BBC. A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) descreve o cianeto de sódio como um sólido cristalino branco com um ligeiro odor a amêndoa que é utilizado na indústria para limpeza de metais, galvanização e extração, e fotografia. Também pode ser utilizado para fabricar outros produtos químicos.
Segundo a agência, a exposição a sais de cianeto pode provocar dores de cabeça, náuseas, tonturas, nervosismo, confusão, alterações do ritmo cardíaco e sonolência. Nos casos mais graves, podem ocorrer problemas cardíacos e respiratórios ou mesmo a morte, acrescenta.
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Já a Greenpeace avançou também estar a acompanhar de perto o acidente afirmando que “tanto a alta velocidade da colisão como as imagens das consequências são motivo de grande preocupação”. Quanto ao impacto ambiental que pode ter, um porta-voz primeiramente afirmou ser demasiado cedo para “avaliar a extensão de quaisquer danos ambientais”, no entanto, face à atualização dos 15 contentores e cianeto de sódio, a Greenpeace disse estar “extremamente preocupada” com os “múltiplos perigos tóxicos”, apesar de ainda não ser claro se aquele produto químico entrou na água.
“À medida que vão surgindo mais informações sobre o que os navios transportavam, estamos extremamente preocupados com os múltiplos perigos tóxicos que estes químicos podem representar para a vida marinha”, disse Paul Johnston, cientista sénior dos Laboratórios de Investigação da Greenpeace na Universidade de Exeter, à AFP. “O combustível de avião que entrou na água perto de um local de reprodução de botos é tóxico para os peixes e outras criaturas marinhas”, acrescenta.
“As condições do mar e do tempo também serão importantes para determinar o comportamento de qualquer derrame. Em caso de derrame de hidrocarbonetos ou de perda de carga perigosa do navio porta-contentores envolvido, a rapidez da resposta será também crucial para limitar o impacto”, citou anteriormente o The Guardian.
Um helicóptero de salvamento da guarda costeira da região de Humberside e barcos salva-vidas de Skegness, Bridlington, Mablethorpe e Cleethorpes estão no local, bem como “um avião de asa fixa” e navios próximos com “capacidade de combate a incêndios”.
Em comunicado, a guarda costeira adiantou que o alerta para a colisão foi dado às 9h48 e que este é um “incidente [que] continua a decorrer”. Ainda não é conhecido o que provocou a colisão.
A ministra dos Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, mostrou-se “preocupada” com a colisão e disse estar em contacto com as autoridades e a guarda-costeira. “Quero agradecer a todos os trabalhadores dos serviços de emergência envolvidos pelos seus esforços contínuos na resposta ao incidente”, acrescentou, numa publicação feita na rede social X.