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O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, pediu nesta quarta-feira “respeito” pela situação “económica, financeira e orçamental invejável” em que Portugal e que, na sua leitura, é a melhor que o País conseguiu ter há muitas décadas.

No discurso de encerramento de um evento sobre o setor bancário, organizado pelo Jornal Económico em Lisboa, Mário Centeno não fez qualquer comentário direto à crise política mas, traçando um retrato muito otimista da evolução da economia e do mercado de trabalho (e do setor bancário) em Portugal, sublinhou que é preciso “respeitar” essa situação, que é distinta da que existia no passado.

“Portugal hoje beneficia de uma situação orçamental, financeira e económica invejável”, afirmou Centeno, acrescentando que “hoje podemos ser ambiciosos, coisa que antes não podíamos ser”.

“Se não respeitarmos este ciclo absolutamente virtuoso… citando o escritor que é talvez o melhor escritor português de sempre [Fernando Pessoa] ‘não sei o que o amanhã trará‘”. Mas “o momento é para respeitar aquilo que fizemos”, defendeu.

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Repetindo o diagnóstico otimista que já fez várias vezes no passado, Mário Centeno lembrou que “Portugal criou um milhão de empregos no setor privado” nos últimos 10 anos. “Nunca na nossa História tínhamos criado em tão pouco tempo tanto emprego”, afirmou o governador do Banco de Portugal, economista especializado no mercado de trabalho.

Os salários pagos em 2024 no setor privado foram próximos dos 64,5 mil milhões, quase o dobro dos salários pagos em 2015″, afirmou Centeno, acrescentando que “em 10 anos fizemos aquilo que Portugal tinha feito nos 900 anos anteriores, ou seja, duplicámos a massa salarial”.

Centeno voltou, também, a sublinhar que “esta dinâmica no mercado de trabalho também foi feita, como não podia deixar de ser, graças à imigração”. “Entre 2014 e 2023 passaram pela Segurança Social portuguesa um milhão de trabalhadores não naturais de Portugal– a maior parte ficou mas muitos não”, afirmou o governador do Banco de Portugal, salientando que “este é o tipo de dinâmica que gera riqueza nos países”.

Por outro lado, o economista salientou, também, que “hoje temos uma população escolarizada”, já que “85% dos jovens que saem para o mercado de trabalho têm pelo menos o ensino secundário – há 20 anos era 40%”, recordou Centeno.

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