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Os líderes de cinco dos principais bancos a operar em Portugal mostraram nesta quarta-feira “desilusão” e “tristeza” em relação ao momento: a crise política “era tudo aquilo de que nós não precisávamos” na economia portuguesa, afirmou um dos banqueiros. Outro comparou os sucessivos episódios de incerteza política a “uma corrida de carros em que no final de cada volta o nosso carro encosta para mudar os pneus”.
“Era tudo aquilo de que nós não precisávamos”. Foi o presidente da comissão executiva do Montepio, Pedro Leitão, que sumarizou nessa expressão o sentimento do setor financeiro perante a provável realização de novas eleições legislativas em Portugal, após o chumbo da moção de confiança no parlamento na terça-feira.
Entre os outros banqueiros presentes num evento organizado pelo Jornal Económico, o presidente do BCP, Miguel Maya, disse-se “otimista” mas acabou por reconhecer “tristeza”, ao passo que o líder do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, manifestou um sentimento de “desilusão”, considerando “inaceitável” a instabilidade política que houve no país nos últimos quatro anos.
“É uma questão de respeito”, afirmou o presidente do BPI. “Há muita gente que todos os dias acorda para puxar pela sua própria carroça e acredita que, pensando nos seus filhos, nos seus netos e nas suas empresas, esse esforço que se está a fazer – e que fez no passado – significa que há um caminho. Mas, quando ligamos as televisões, o nível que vemos não se compadece com este esforço”.
Há uma falta enorme de indignação em Portugal. É verdade que temos esta capacidade de aceitar tudo, somos realmente pessoas de brandos costumes. Reparem o que aconteceu nos últimos quatro anos e pensem se isto é aceitável. Acho que tem de haver aqui alguma coisa que venha de dentro da alma portuguesa, nós somos muito pequenos e não posso continuar a aceitar que a situação que nós observamos seja esta, porque este é o exemplo que damos às próximas gerações”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa.
Já Pedro Castro e Almeida, presidente do Santander, comparou a sucessão de episódios de instabilidade política a “uma corrida de carros em que no final de cada volta o nosso carro encosta para mudar os pneus”. Lembrando que “são os privados, as pessoas e as empresas que criam crescimento e criam oportunidades, não é o Estado”, Pedro Castro e Almeida defendeu que “apesar do Estado que temos, desta economia estatizada, temos conseguido fazer deste país algo melhor do que seriam as expectativas com um Estado deste”.
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Neste contexto, acrescentou o líder do Santander Portugal, “quando olhamos para atração de investimento estrangeiro, para a representação de Portugal, para a execução dos fundos europeus, faz diferença ter um governo estável” ou não ter isso, defendeu. É certo que outros países também têm tido experiências de instabilidade política, ao longo dos últimos anos e décadas, mas “isto acaba por ter impacto – basta olhar para Itália, muito conhecida por este tipo de instabilidade, que é uma economia que tem um crescimento miserável”.
O cenário político arrisca, até, piorar, alertou Licínio Pina, líder da Caixa Agrícola, que mostrou ter um grande receio de que, daqui para a frente, seja impossível atrair “pessoas de qualidade” para participar na vida política.
“Como observador e como português acho completamente degradante o nível a que se chegou na política”, afirmou Licínio Pina. “Dificilmente haverá pessoas com qualidade que queiram exercer funções públicas dada a exposição que é feita à pessoa e à sua família”, afirmou o responsável.
Paulo Macedo, presidente do banco público Caixa Geral de Depósitos, estava originalmente no programa para participar na conferência de banqueiros mas acabou por não marcar presença na mesa-redonda.