Há novidades nas hostes da Lamborghini e não têm a ver com a decisão de avançar, ou não, com a produção de veículos eléctricos, uma vez que esta continua programada, embora tenha derrapado cerca de um ano, pois o crossover Lanzador foi reagendado para 2029. Agora o CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, revelou duas importantes características técnicas para caracterizar a plataforma que vai servir o primeiro modelo 100% eléctrico da Lamborghini, bem como o superdesportivo que o seguirá: a potência dos motores, o que deixa antever o nível de performance, e a voltagem do sistema eléctrico, a qual garante uma maior ou menor rapidez nos carregamentos da bateria.

Em relação à arquitectura eléctrica, o ex-CEO da Porsche que foi colocado como chefe da Volkswagen AG — grupo que integra a Lamborghini, entre muitos outros construtores — aponta para corrente com uma tensão de 980V. Já quanto ao “arcabouço” da mecânica, Blume promete que os futuros Lamborghini eléctricos poderão oferecer motores com uma potência de até 2000 cv.

Quer o Lamborghini eléctrico? Vai ter de esperar

Este nível de potência iguala o da motorização que a Rimac desenvolveu para o seu coupé de dois lugares Nevera, e que posteriormente vendeu à Pininfarina para o Battista, sendo que a marca criada por Mate Rimac foi o parceiro técnico a quem o grupo alemão recorreu para aceder à tecnologia que a Porsche utiliza no Taycan e no Macan EV (do sistema eléctrico a 800V à transmissão de duas velocidades) e a quem entregou a gestão da Bugatti no momento em que este construtor abraça a electrificação.

A fasquia de 2000 cv deverá ser demasiado elevada para um crossover como o Lanzador, tanto mais que o construtor italiano prometeu cerca de 1 MW, o equivalente a 1360 cv, o que ainda assim resultará no Lamborghini mais potente da história. De recordar que a versão mais possante do Urus, o SE híbrido plug-in, se assume como um dos SUV mais desportivos do mercado, em paridade com o Ferrari Purosangue, e fica-se pelos 800 cv, 192 dos quais assegurados por um motor eléctrico alimentado por uma bateria com uma capacidade bruta de 25,9 kWh.

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A potência máxima (os tais 2000 cv) permitida por esta nova plataforma, que irá ser igualmente utilizada por outras marcas do grupo, deverá ficar reservada para o superdesportivo a bateria que a marca transalpina também se encontra a preparar e que chegará ao mercado depois do Lanzador, que agora está previsto para 2029. O superdesportivo eléctrico com dois milhares de cavalos deverá adoptar a solução coupé baixo e largo, restando saber se a carroçaria oferecerá apenas dois lugares ou 2+2.

CEO da Lamborghini diz que é cedo para um superdesportivo eléctrico

A Lamborghini atrasou um ano o lançamento do Lanzador, alegando que aguarda um salto qualitativo da tecnologia que serve as baterias, pois um veículo deste tipo, potente e leve, necessita de baterias com a maior densidade energética possível, para maximizar a autonomia. Menos mal que a questão das cargas rápidas já está resolvida, uma vez que a arquitectura a 980V figura entre as maiores do mercado. Blume disse ainda que o típico cliente desta classe de veículos precisa de mais tempo para se habituar à ideia de que também há vantagens em trocar os motores a gasolina por eléctricos.