Uma adolescente, algumas fotografias íntimas (‘nudes’) no telemóvel e uma série de instruções para construir uma bomba caseira. Foram estes os ingredientes para uma tentativa de ataque da Rússia em solo ucraniano que conseguiu ser travada antes de ser consumada, segundo o plano revelado esta sexta-feira no Telegram pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU).

Com apenas 14 anos, uma jovem ucraniana de Ternopil, na zona oeste do país, estaria a procurar trabalho a tempo parcial através daquela aplicação. Sem saber, acabou por ser contactada por elementos dos serviços secretos da Rússia, que, de acordo com o jornal Kyiv Post, acederam então de forma remota ao telemóvel da adolescente e descobriram fotografias pessoais íntimas que usaram para a chantagear e forçar a colaborar no plano de ataque.

“Os ocupantes recrutaram-na para colocar explosivos no departamento de polícia do distrito local”, afirmou a agência ucraniana SBU no Telegram.

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A rapariga recebeu, então, instruções para construir uma bomba artesanal, esconder numa mochila e colocar o dispositivo por debaixo de um carro nas imediações da esquadra da polícia a fim de ser detonado remotamente pelos operacionais russos. O resultado seria a morte da jovem e de quaisquer polícias e civis naquela zona, mas os agentes da SBU e da Polícia Nacional ucraniana em Ternopil intercetaram o plano, localizando e neutralizando o engenho explosivo.

Segundo a SBU, este plano é o reflexo de uma tática recente dos serviços secretos russos e que assenta na utilização de civis insuspeitos para levar a cabo os ataques, eliminando-os de seguida para ocultar o rasto até aos agentes russos.

“Se lhe pedirem a si ou aos seus amigos que ‘entreguem simplesmente uma encomenda’ num centro de recrutamento territorial, numa esquadra de polícia ou noutro edifício administrativo, saiba que estão a tentar matá-lo”, referiu o serviço de segurança da Ucrânia.

O Kyiv Post recorda ainda os casos registados no início deste mês na cidade de Ivano-Frankivsk, onde ocorreram ataques executados por dois adolescentes ucranianos, de 15 e 17 anos, que tinham sido recrutados pelos serviços secretos russos, alegou a SBU. Os dois rapazes encontraram uma oferta de emprego através também do Telegram e acabaram por seguir uma série de instruções sob a promessa de virem a receber 1.700 dólares.

No dia 11 de março, os operacionais russos detonaram à distância os engenhos explosivos fabricados pelos jovens, resultando na morte do rapaz de 17 anos, enquanto o jovem de 15 sofreu ferimentos graves e está agora acusado de terrorismo.

Voltando ao caso de Ternopil, a adolescente de 14 anos foi entretanto acusada de tentativa de ato terrorista e colocada em prisão domiciliária. Perante esta acusação, a jovem pode arriscar uma pena até 10 anos de prisão.