Já não estavam boas e já não se recomendavam, mas desde domingo que as relações entre os EUA e a Gronelândia pioraram significativamente, com o primeiro-ministro cessante gronelandês a explodir publicamente com o envio de uma delegação norte-americana que considera “altamente agressiva”, composta por altos funcionários da administração de Donald Trump.
Mute B. Egede fez os comentários mais críticos de sempre em relação aos EUA e aos planos de Trump, que há muito deixaram de ser velados, em anexar a Gronelândia, garante o New York Times. “O que é que o conselheiro de segurança nacional vem fazer à Gronelândia?”, questionou, em declarações ao jornal Sermitsiaq.
“O único propósito é demonstrar poder sobre nós“, respondeu de imediato, referindo-se à presença do conselheiro de segurança nacional Mike Waltz na comitiva de visita ao país, que está marcada para esta quinta-feira.
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Numa declaração difundida pelas redes sociais, Egede frisa que não vai realizar-se qualquer encontro oficial entre as autoridades locais e os membros da delegação norte-americana.
Egede acrescentou que a Administração norte-americana foi informada de que só se podem realizar contactos formais após a formação de um novo governo, na sequência das recentes eleições legislativas no território autónomo.
Desde a derrota do Partido Verde (esquerda) nas eleições legislativas, Mute Egede é o líder interino da Gronelândia até à formação de um novo Executivo.
Da delegação fazem parte também o secretário da Energia, Chris Wright, que visitará ao lado de Waltz uma base militar dos EUA no território estrangeiro. Já Usha Vance, a segunda-dama dos EUA, vai viajar até à Gronelândia com uma agenda direcionada à visita de locais históricos e para assistir à Avannaata Qimussersua, a corrida nacional de trenós puxados por cães que se realiza todos os anos.
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Além do primeiro-ministro cessante gronelandês, que afirma que os esforços das autoridades do seu país para serem diplomáticos batem de frente com “Donald Trump e seu governo na sua missão de possuir e controlar a Gronelândia”, outras vozes se levantaram contra a visita dos norte-americanos.
Reclamam, sobretudo, do momento inoportuno da visita, já que a Gronelândia acabou de realizar eleições legislativas e ainda não tem novo governo formado.
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“O fato de os americanos estarem bem cientes de que estamos no meio de negociações mostra mais uma vez mostra uma falta de respeito pelo povo da Gronelândia“, disse Jens-Frederik Nielsen, o líder do Demokraatit, o partido de centro-direita idependentista, até agora na oposição e que venceu as legislativas na Gronelândia com 29,9% dos votos.
No domingo, também a chefe do Executivo da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que a visita de Usha Vance não pode ser encarada isoladamente das declarações públicas que foram feitas por Donald Trump.
Em meados deste mês, Trump reiterou que a anexação pelos Estados Unidos acabaria por acontecer, argumentando que se trata de um movimento relacionado com o que chamou segurança internacional.
A Gronelândia tem importância estratégica devido à localização visto que se encontra na rota mais curta entre os Estados Unidos e a Rússia, além das riquezas naturais. Embora todos os principais partidos da Gronelândia sejam favoráveis à independência do território nenhuma formação política local apoia a ligação aos EUA.