No rescaldo da vitória de domingo nas eleições regionais da Madeira, Miguel Albuquerque defendeu esta segunda-feira que o PSD foi a escolha dos madeirenses para liderar um “governo estável” e revelou que um acordo com o CDS-PP, que descreveu como o “parceiro preferencial”, está para breve.

Em entrevista à SIC Notícias, o líder do PSD/Madeira considerou necessário olhar para a “realidade” que “resulta de um quadro parlamentar votado pelo povo”: “O que o povo disse é que queria que o governo da Madeira fosse liderado pelo PSD e que fosse estável.”

Desta forma, enalteceu que, entre as opções que existem (Iniciativa Liberal e CDS-PP, ambos com dois deputados), “o parceiro preferencial é o CDS”, o que o levou a garantir: “Vamos chegar a um entendimento com o CDS.” Albuquerque recordou que existe um “histórico de coligação” com esse partido, que o mesmo “funcionou muito bem” e que essa é a “opção preferencial é o CDS”. Aliás, questionado sobre se a IL era uma hipótese, o social-democrata nem comentou e focou-se nos democratas-cristãos. “Estamos a conversar, vamos possivelmente chegar a um acordo o mais rapidamente possível“, concluiu.

Questionado sobre se tem preferência por um acordo de governo ou parlamentar, Miguel Albuquerque pretende repetir o que aconteceu no passado: “No quadro parlamentar, um acordo parlamentar, e um acordo para governo escrito para não haver equívocos.”

Quanto ao tema que espoletou a queda das eleições antecipadas, as terceiras num ano e meio, mostrou-se convicto de que não será acusado no caso que investiga suspeitas de corrupção na região autónoma. “Em primeiro lugar, ainda não fui ouvido no processo. Se um dia for ouvido, tenho de esclarecer o que está lá. A minha convicção é que em 30 anos de vida pública nunca fui corrompido. Não existe nessa denúncia qualquer fundamento para haver uma acusação”, afirmou o presidente do Governo regional, continuando: “Sei quem sou, sei quais foram as minhas condutas. [Acusação?] Tenho muitas dúvidas de que isso vá acontecer, só por equívoco é que isso pode acontecer”.

A vitória quase-absoluta de Albuquerque, “o desejado”, deixou um PS partido e um JPP em festa

Em entrevista à SIC Notícias, Miguel Albuquerque atirou às denúncias anónimas “feitas em catadupa” contra titulares de cargos políticos e atribuiu ao Chega a autoria dessas denúncias para criar um clima de “incerteza e desestabilização” na democracia portuguesa.

“Não é uma questão de vingança. As pessoas perceberam, porque este governo foi eleito em maio. Entretanto veio uma série de denúncias, inclusivamente contra o secretário de Turismo. Ele foi ouvido, o governo foi derrubado e o processo foi arquivado. Quem desencadeou esta situação foi este partido que gosta histericamente de provocar a terra queimada, que é o partido do senhor Ventura, que espera que as instituições democráticas e os seus titulares vão caindo um a seguir ao outro para depois aparecer um salvador”, frisou.

Convicção numa vitória reforçada do PSD nas legislativas antecipadas

Sublinhando a evolução positiva dos indicadores económicos e sociais da região autónoma durante a sua governação, Miguel Albuquerque pronunciou-se também sobre a situação política no continente e as próximas eleições legislativas antecipadas para 18 de maio. Além de desvalorizar a ausência do primeiro-ministro na campanha madeirense, Miguel Albuquerque mostrou-se seguro num triunfo dos sociais-democratas..

“Acho que o PSD vai subir e neste momento é tempo de os partidos democráticos enfrentarem os partidos populistas. Se cedermos aos partidos populistas, os partidos do centro democrático vão desaparecer”, avisou. No entender do governante madeirense, “é muito perigoso fazer alianças com partidos populistas à direita“, situação sobre a qual assumiu ter mudado de posição relativamente ao passado.

Os vencedores, os vencidos e o ignorado das eleições da Madeira

Com críticas à postura portuguesa quando considera que a Europa está na “situação mais difícil que enfrenta desde o pós-guerra”, o líder do Governo madeirense defendeu ainda que se anda a “brincar aos processos” sem discutir “o essencial”.

“A saída é o PSD ganhar bem e acho que o PSD vai ganhar bem. Para liderar o Governo, o partido deve ganhar. (…) Sou defensor de que quem ganha as eleições deve governar”, finalizou.

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