O líder do PS apareceu esta terça-feira apostado em contestar a ideia de um político “zangado” e “radical”. Em entrevista à CNN Portugal, Pedro Nuno Santos falou menos de conteúdos políticos e mais da forma como se apresenta em público, considerando “ridículo” que o chamem radical.

“Ninguém pode dizer que eu sou radical, é ridículo”. A frase vinha em resposta à análise de um político que a oposição chama de radical, com Pedro Nuno Santos a contrapor todos os momentos em que deu a mão à AD, no último ano, para provar o contrário do que dizem do seu estilo: “Não sei se algum líder do PS fez tanto pelas condições de governabilidade do PSD como eu próprio”.

“Não conseguem encontrar um único exemplo disso”, afirmou no programa “Crossfire” em relação ao rótulo de radical, enquanto enumerava a viabilização do programa do Governo, do Orçamento e até a eleição de Aguiar-Branco — que se queixou que agora o “maltrata” — e ainda o chumbo de duas moções de censura ao Governo. A este propósito, Pedro Nuno não perdeu a oportunidade para vincar que “o PS não andou à procura de eleições” e que foi o Governo de Luís Montenegro que as provocou.

Sobre o seu estilo, foi ainda confrontado com o episódio nas redes sociais, em que interagiu com Lili Caneças. Admitiu ter a “consciência da imagem que passa, de zangado e carracundo” garantindo que “é coisa” que não é. Justifica que “os problemas do país não estão para gargalhadas” e garante que quem “demonstrou falta de empatia” nos últimos 11 meses foi Luís Montenegro, apontando como exemplo disso a reação do Governo às mortes na semana da greve dos serviços de emergência médica.

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O foco do socialista continua na diferenciação face ao primeiro-ministro, recusando “desvalorizar a questão ética” nestas eleições e acreditando que as últimas semanas “mudaram a forma como as pessoas veem Luís Montenegro”. Ao contrário do social-democrata, o socialista diz ter “capacidade de aprender com o erro” e que “como político” está “disponível para ser escrutinado”.

Aliás, apesar de recusar leituras nacionais dos resultados eleitorais da Madeira, o socialista admitiu apenas tirar “uma lição”: em 2024, Miguel Albuquerque demitiu-se depois de buscas judiciais e teve “a maior derrota da história do PSD na Madeira”. “Se quisermos tirar lição da Madeira é esta”, afirmou, dizendo que a investigação judicial não teve, depois, desenvolvimentos e “o povo madeirense votou no partido que conhece e governou 50 anos”, nestas eleições de domingo.

Para as legislativas que aí vêm, mantém a máxima de “só trabalhar no cenário de vitória” e diz que a “vitória de Montenegro seria um azar para Portugal”. Volta a dizer que “não passa pela cabeça de ninguém que a PSD não trate o PS da mesma forma que o PS tratou a AD”, quanto às condições de governabilidade se ficar à frente mas sem maioria no Parlamento. E repete também que “era o que faltava que não estivesse na campanha” o caso Spinumviva.

Justifica essa opção por este ter sido “o tema que leva o país a estas eleições. Não vai ser o único tema”, garante ao mesmo tempo que diz que “a liderança de Montenegro também vai a votos”.  Repete a fórmula para dizer também que “era o que faltava” que os casos noticiados nas últimas semanas sobre Montenegro “beneficiassem o primeiro-ministro e não o prejudicassem”.

Diz pouco sobre a preparação de conteúdos do novo programa eleitoral do PS. Vai fazer cinco sessões nos próximos dias — a começar nesta quarta-feira — mas não diz com quem. E também mantém segredo sobre constituição das listas de candidatos a deputados, sem confirmar ainda se vai proibir que candidatos a câmaras se excluam da corrida à Assembleia da República. A única coisa que diz sobre as listas é que vai contar com  “uma segunda linha de governantes, secretários de Estado” dos anteriores governos socialistas. Isto exclui ex-ministros do plano, como Fernando Medina ou Mariana Vieira da Silva (próximos de Costa e menos próximos de Pedro Nuno)? O líder do PS recusou falar em nomes e remeteu pormenores para os próximos dias.

No final da entrevista ainda foi questionado sobre a providência cautelar (recusada) de Luís Montenegro aos cartazes do Chega que o comparam a Sócrates. Para Pedro Nuno, o líder do PSD chega tarde.

Até começou por dizer que o “PS não se revê nesta forma do Chega fazer campanha”, mas de seguida acrescentou que, “em vários momentos, o PS denunciou a forma do Chega fazer política”, acusando Montenegro de “só se preocupar quando agora lhe toca a ele”.

Mostrou até um cartaz da AD na última campanha que dizia “corrupção e falta de ética já não dá para continuar”. “Luís Montenegro ficou revoltado porque agora lhe tocou a ele”, defendendo que “os políticos não podem ter duas faces”: “Tenho pena que noutros momentos Luís Montenegro não tenha sido duro com o Chega”.