A TAP anunciou um lucro de 53,7 milhões de euros em 2024, o que corresponde a uma queda de 69,7% face ao ano anterior. A queda é atribuída pela companhia a provisões laborais extraordinárias e a perdas cambiais.

Estes fatores afetaram sobretudo o resultado do último trimestre que foi fortemente negativo em mais de 64 milhões de euros devido à constituição de uma provisão extraordinária para fazer face às consequências do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que condenou a TAP por ter terminado contratos com os tripulantes durante a pandemia. O reconhecimento deste custo nas contas do ano passado surge já depois do Supremo ter indeferido uma reclamação apresentada pela companhia, numa decisão de março deste ano.

Covid19. Supremo rejeita reclamação da TAP sobre indemnizações a tripulantes de cabine

De acordo com as contas da empresa, as provisões foram reforçadas no ano passado em 165,6 milhões de euros.

A TAP assinala contudo que o resultado consolidado agora anunciado é o terceiro positivo após o início do plano de reestruturação. E indica que os resultados operacionais e a margem bruta, EBITDA, mantiveram-se estáveis e em linha com 2023, “acomodando com sucesso os novos acordos de empresa e o aumento dos custos com pessoal.”

As receitas operacionais atingiram um novo máximo histórico, com uma subida de 1% para 4.242,4 milhões de euros, alavancadas pelo reforço da capacidade em 1,6% e pela melhoria do load factor. Estes fatores compensaram o impacto negativo do ajuste em baixo de receitas com passagens não voadas no valor de 75 milhões de euros no último trimestre do ano. A TAP sinaliza também uma reconfiguração no programa de fidelidade Miles & Go que teve um impacto negativo nas receitas de curto prazo. Os proveitos no último trimestre caíram 5,7%.

A companhia transportou mais 1,6%, o que equivale a 16,1 milhões de passageiros, atingindo o valor registado em 2019, último ano antes da pandemia. A capacidade em 2024 superou os níveis pré-crise, atingindo 102% de 2019 e aumentando 1,6% em comparação com 2023. O load factor (taxa de ocupação da aeronave) aumentou para 82,3%. O PRASK que mede a receita por passageiro em função dos lugares oferecidos por quilómetro alcançou 7,13 cêntimos, o que traduz uma queda de 2,3%, apesar de ainda estar acima do nível de 2019. O CASK que mede os custos operacionais baixou 0,7% para 7,2 cêntimos.

A empresa destaca com uma nota positiva a posição de liquidez que era de 651 milhões de euros no final do ano, sem contar ainda com a terceira e última tranche do aumento de capital pelo Estado que foi feita em janeiro. Esta tranche de 343 milhões de euros conclui o plano de capitalização da TAP, terminando este ano o plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia.

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TAP espera mais concorrência e aumento de custos no último ano da reestruturação

Em mais um ano de incerteza política, que gera incerteza sobre a privatização, a companhia destaca como perspetivas para 2025 a abertura de três novas rotas para os Estados Unidos — Lisboa para Los Angeles,  São Francisco via Terceira, e do Porto para Boston — e entrega de mais três aviões Neo pela Airbus.

As reservas de passagens estão em linha com as registadas no ano passado, não obstante o aumento de capacidade, mas a TAP espera uma concorrência mais intensa o “que poderá exercer maior pressão sobre as yields (rentabilidade). Além disso, as margens operacionais deverão ser impactadas pelo aumento dos custos e pela incerteza macroeconómica, incerteza essa que poderá afetar tantos os custos como as receitas”.

Para o presidente executivo da companhia, os resultados do ano passado confirmam “a trajetória de recuperação da TAP iniciada nos últimos anos”. Luís Rodrigues destaca a estabilização dos resultados operacionais e o “contínuo aumento da pontualidade e regularidade” que confirmam uma operação mais robusta e resiliente, reconhecida pelos nossos clientes. Resultados que foram conseguidos num ano “muito desafiante, marcado por um aumento significativo da concorrência nos nossos principais mercados, fortes desvalorizações cambiais, desafios operacionais, nomeadamente no controlo de tráfego aéreo e eventos meteorológicos adversos, e constrangimentos estruturais, como o limite de aeronaves”

Nessa medida, avisa que “2025 será igualmente um ano desafiante, mas também o último ano do plano de reestruturação, no qual continuaremos focados na transformação da TAP numa companhia sustentadamente rentável e numa das mais atrativas da indústria, contanto com o apoio e compromisso das nossas pessoas e dos nossos stakeholders”.

Administrações da Caixa, TAP e IP terminaram mandato, mas nomeações ficam para o próximo Governo

O presidente executivo da TAP, bem como toda a comissão executiva, terminaram o mandato no final de 2024. Mas só um novo governo saído das eleições poderá nomear, ou manter, a atual equipa de gestão, bem como lançar a privatização.